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Lisboa, 13 out 2021 (Lusa) — O presidente da Associação de Discotecas Nacional defendeu hoje um reforço de policiamento para resolver os problemas da noite, como os que têm sido registados de norte a sul do paÃs, e pediu para ser ouvido pelo Governo.
José Gouveia falava à Lusa a propósito dos vários incidentes que têm marcado a noite nas últimas semanas, como o caso de um segurança a agredir um cliente com socos e pontapés numa discoteca em Albufeira e a morte de um jovem de 23 anos no Porto que foi espancado na via pública junto a um estabelecimento noturno.
“Ainda não ouvimos o Ministério da Administração Interna [MAI] pronunciar-se relativamente a estes acontecimentos. Não ouvimos ninguém do Estado a vir falar sobre estas situações”, disse o presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN).
José Gouveia disse também à Lusa que a ADN quer passar às pessoas a mensagem de que estas situações graves não definem a noite.
“A mensagem principal que queremos passar é a de que estas situações não definem a noite. A associação tem debatido este problema e nós temos infelizmente sido sÃmbolo da insegurança que se vai vivendo um pouco por todo o paÃs”, disse.
De acordo com o presidente da ADN, situações como as agressões no Algarve, envolvendo um segurança que nem sequer fazia parte do corpo de segurança da discoteca onde ocorreram as agressões, não definem o setor.
“Esta situação não espelha nem define aquilo que por exemplo é a segurança em Portugal. Da mesma maneira que a atitude e a postura que as forças de segurança naquele caso [do Algarve], a GNR, tiveram também não podem ser consideradas como uma definição do que é uma instituição centenária como é a GNR. Aquilo é uma situação Ãmpar que não se pretende ver replicada noutras situações”, sublinhou.
José Gouveia lembrou que a ADN teve durante os 19 meses em que as discotecas estiveram encerradas reuniões, com o secretário de Estado do Comércio e com a Câmara Municipal de Lisboa, nas quais alertaram para a importância de regulamentar melhor a questão da noite.
“Sabemos que em momentos de crise financeira e económica que estamos a viver, a violência acaba por escalar e também quando há um sentimento de impunidade como o que vimos nas imagens projetadas na televisão ou nas pessoas apanhadas em assaltos e que saem no próprio dia”, contou.
No seu entendimento, isto faz com que o aumento da criminalidade se proporcione.
“Fala-se tanto em segurança, dos seguranças da noite, nas casas, mas não se fala da segurança na rua, que é da responsabilidade do Estado, da tutela do MAI e das forças de segurança que exercem naquela zona. Numas GNR noutras a PSP”, destacou, defendendo um reforço do policiamento.
Na opinião de José Gouveia, a presença das forças de segurança é um elemento dissuasor como por exemplo nos casos de roubo ou violência.
“Costumo dar sempre este exemplo. Das Docas ao Cais do Sodré [Lisboa] são cinco minutos de carro. Se tivermos um carro a circular de um lado para o outro de cinco em cinco minutos naquela área de diversão noturna, este carro-patrulha é um elemento dissuasor”, contou.
José Gouveia lembra que as discotecas são polos de diversão que envolvem excessos e excessos com álcool e por isso o Estado tem de ter maior controle.
“Nós somos obrigados a ter uma série de regras nos estabelecimentos, tudo isto devido ao tipo de negócio que temos e depois o cliente sai cá para fora e não há um polÃcia, um sistema de videovigilância. Acaba por haver aqui um desequilÃbrio”, realçou.
José Gouveia destacou que o negócio da noite “está frágil, passou um mau bocado e não precisa disto”.
“O que pedimos é que haja um interlocutor junto do Estado. Nós temos o conhecimento da operação, o que se passa no terreno, então queremos ser ouvidos, explicar como estas situações se resolvem. Queremos também passar uma palavra de sensibilização à s empresas, para os operadores da noite, para que tenham cuidado para que estas situações não ocorram, mais cuidado para com os seus clientes, com o tipo de pessoas que contratam e as empresas com quem trabalham”, concluiu.
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