
Lisboa, 26 out 2022 (Lusa) — A associação ambientalista Zero denunciou hoje que os voos noturnos sobre Lisboa “quase triplicaram” na última semana, constituindo “244 razões para pôr em prática o plano de ação contra o ruÃdo dos aviões na região”.
A Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável acrescenta em comunicado que está a monitorizar os movimentos aéreos no aeroporto Humberto Delgado realizados ao abrigo da portaria governamental 252-A/2022, que autoriza voos noturnos sem limites no perÃodo entre 18 de outubro e 28 de novembro por motivo de atualização do sistema de controlo tráfego aéreo.
A associação diz ter verificado que os voos realizados entre as 00:00 e as 06:00 “mais do que duplicaram em relação ao limite estabelecido na legislação (91 por semana) que a portaria governamental derroga, atingindo na primeira semana um total de 244” movimentos noturnos, “descontando eventuais voos de carga e jatos privados que não são identificados nos sistemas, e 14 voos cuja hora real de partida ou chegada não foi identificada”.
“Estamos, em média, perante 35 ou mais aviões a sobrevoar a cidade todas as noites no perÃodo 00:00-06:00, e cerca de seis aviões a passar por hora — um a cada dez minutos –, produzindo nÃveis de ruÃdo intoleráveis para o descanso dos cidadãos.
A Zero defende que o aumento dos voos noturnos “vem tornar ainda mais urgente a aplicação do Plano de Ações de Gestão e Redução de RuÃdo para o Aeroporto Humberto Delgado, que está esquecido sobretudo no que diz respeito à s obras de isolamento acústico de edifÃcios”.
A associação ambientalista acrescenta que continuará a acompanhar a situação nas próximas semanas e que “aguarda com expectativa a prometida publicação pelas autoridades dos dados relativos ao número de pessoas afetadas por nÃveis de ruÃdo superiores a 45 decibéis entre as 23:00 e as 07:00”.
A Zero afirma que desde que disponibilizou no seu site, em julho passado, um formulário de recolha de reclamações sobre o ruÃdo provocado pelos voos noturnos já recolheu mais de três centenas de reclamações, as quais fará chegar à ANA Aeroportos, à Autoridade Nacional da Aviação Civil e ao municÃpio.
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