
Ponta Delgada, Açores, 08 mai 2022 (Lusa) — A Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores (APPAA) alertou hoje para situações que configuram “atentados à lei” que protege a reserva natural da Lagoa do Fogo, em São Miguel, tendo solicitado esclarecimentos ao Governo Regional.
Num comunicado enviado hoje à s redações aquela associação denuncia situações de estragos na vegetação endémica na reserva natural da Lagoa do Fogo, um dos pontos turÃsticos da ilha de São Miguel, assim como a utilização de uma embarcação com motor, prática interdita, documentando com fotos.
“Como é sabido, está interdita a utilização de barcos com motor nas Lagoas da Furnas e Sete Cidades. Na Reserva Natural da Lagoa do Fogo é interdita a prática de quaisquer atividades náuticas e mesmo nadar, ou tomar banho. Como se explica a utilização de uma embarcação com motor nesta Lagoa?”, lê-se no comunicado assinado pelos sócios fundadores da APPAA, Marta Couto e LuÃs Noronha.
Ainda de acordo com a associação, “o atraso na concretização do projeto” de ordenamento do miradouro mais visitado da Lagoa do Fogo tem “mantido o descontrolo neste local da encosta norte, à semelhança do acesso pela encosta sul”.
A Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas “apresentou publicamente a alteração ao projeto de ordenamento do miradouro mais visitado da Lagoa do Fogo”, segundo recorda a associação, assinalando que a implementação daquele plano permitirá “a presença de técnicos capacitados” e consequentemente uma maior vigilância e “disciplina no estacionamento de pessoas e veÃculos”, evitando estragos das espécies vegetais nativas e endémicas.
“Qual a razão para a total falta de controlo neste local e que permite o acesso dos visitantes a locais como as cumeeiras anexas ao miradouro, com a criação de um caminho provocado pelo pisoteio de cada vez maior número de pessoas?”, pergunta a APPAA.
A associação de proteção ambiental pretende ainda explicações sobre “a introdução de uma espécie carnÃvora, bastante voraz, como é o caso do Achigã, peixe com origem no norte dos Estados Unidos e sul do Canadá nas águas da Lagoa do Fogo”.
A APPAA revelou ainda ter enviado “ao presidente do Governo Regional dos Açores alguns pedidos de esclarecimentos” sobre estas situações “mais recentes que causam perplexidade e preocupação”, considerando que “a falta de vigilância e de critério de gestão estarão na origem de situações insólitas”, alegadamente na reserva natural da Lagoa do Fogo.
Congratulando-se com a decisão tomada pelo Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, “de aumentar significativamente a verba atribuÃda ao poder local para dispor de meios de limpeza”, a APPAA solicita, no entanto, a “rápida resposta” das autoridades locais para que se possa “ultrapassar estes atentados à lei que protege a Lagoa do Fogo como Reserva Natural”.
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