
Bamako, 07 jun 2021 (Lusa) — O coronel Assimi Goïta tomou hoje posse como presidente do Mali durante um perÃodo de transição, que deverá devolver o poder aos civis, após dois golpes de estado condenados pelos principais parceiros do paÃs, fundamental para a estabilidade do Sahel.
“Juro perante deus e o povo maliano preservar fielmente o regime republicano, (…) preservar as conquistas democráticas, garantir a unidade nacional, a independência do paÃs e a integridade do território nacional”, afirmou o coronel, lÃder do golpe militar, envergando um uniforme cerimonial.
Os parceiros internacionais do Mali exigem garantias de que os militares entregarão o poder aos civis após a realização de eleições, prevista para fevereiro de 2022.
A cerimónia teve lugar no Centro Internacional de Conferências de Bamako (CICB), onde Goïta discursou em seguida.
“Quero assegurar à s organizações sub-regionais e regionais e à comunidade internacional que o Mali honrará todos os seus compromissos para e no melhor interesse da nação”, começou por declarar Assimi Goïta, após a tomada de posse.
As embaixadas ocidentais, na sua generalidade, optaram por enviar um “colaborador” em vez de um embaixador à tomada de posse, num “sinal polÃtico”, que não é “nem um boicote nem uma sanção”, de acordo com a fonte diplomática em declarações à agência France Presse.
O Mali, foco central do jihadismo na região do Sahel, foi cenário de duas tomadas do poder em nove meses por parte de Assimi Goïta e do seu grupo de coronéis.
No primeiro dos golpes militares, em 18 de agosto de 2020, os militares derrubaram o então Presidente Ibrahim Boubacar Keita, enfraquecido por meses de protestos liderados pelo Movimento 5Jun/Reunião das Forças Patrióticas (M5/RFP), um grupo de opositores, membros do clero e elementos da sociedade civil.
Sob pressão internacional, a junta militar que assumiu na altura o poder comprometeu-se a um perÃodo de transição limitado a 18 meses e liderado por civis.
A 24 de maio, porém, o coronel Goïta, que se manteve sempre como o verdadeiro homem forte do governo de transição, deitou por terra o anterior compromisso e mandou prender o presidente interino e o primeiro-ministro transitório, ambos civis.
Desde então, o oficial assumiu-se como Presidente interino, uma decisão caucionada pelo Tribunal Constitucional do paÃs.
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