
Nações Unidas, Nova Iorque, 24 fev 2026 (Lusa) – A Assembleia-Geral da ONU aprovou hoje uma resolução não vinculativa que pede uma paz justa e um cessar-fogo imediato e incondicional entre Rússia e Ucrânia, destacando-se a abstenção dos Estados Unidos.
Além de defender um cessar-fogo imediato, completo e incondicional, a resolução, apoiada por 107 países, reitera o apelo para uma paz abrangente, justa e duradoura, em conformidade com o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas.
Reitera ainda o apelo à troca completa de prisioneiros de guerra, à libertação de todas as pessoas detidas ilegalmente e ao regresso de todos os civis transferidos ou deportados à força “como uma importante medida de fomento da confiança”.
A resolução em causa, intitulada “Apoio à paz duradoura na Ucrânia”, apresentada pela Ucrânia e patrocinada por dezenas de países, incluindo Portugal, obteve 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções, sendo aprovada com amplos aplausos da maioria dos diplomatas presentes na Assembleia-Geral.
Antes da votação, uma moção proposta pelos Estados Unidos (EUA) para votar separadamente dois parágrafos referentes à integridade territorial da Ucrânia e ao direito internacional foi rejeitada por 11 votos a favor, 69 contra e 62 abstenções.
“Enfraquecer ou remover esta linguagem enviaria um sinal muito perigoso de que estes princípios são negociáveis”, criticou Kiev.
A representante da Ucrânia presente na Assembleia-Geral tinha manifestado sérias preocupações com esta moção, enquanto a delegada norte-americana saiu em defesa da mesma, alertando que certos excertos destes parágrafos poderiam desviar a atenção das negociações de paz em curso.
“Acabar com a guerra, claro, é a coisa certa a fazer, mas ninguém está a sugerir que será fácil. Exigirá sacrifícios e concessões. Neste sentido, os Estados Unidos apelam a todos para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para moderar a retórica e agir de boa-fé”, argumentou a diplomata norte-americana Tammy Bruce, após a votação.
“Os Estados Unidos acolhem, naturalmente, o apelo por um cessar-fogo imediato. Como já dissemos, esta resolução também inclui uma linguagem que provavelmente desviará a atenção das negociações em curso, em vez de apoiar a discussão de todas as vias diplomáticas que podem abrir caminho para uma paz duradoura”, insistiu.
O que é necessário para acabar com a guerra, defendeu Tammy Bruce, “é vontade política”.
“Acreditamos que estamos mais perto de um acordo do que em qualquer outro momento desde o início desta guerra. Que este seja o último aniversário de uma guerra que já dura tempo de mais e a um custo muito alto. Vamos acabar com ela agora”, apelou.
Apesar desta posição na ONU, os líderes dos países do G7 (grupo das sete maiores economias mundiais), incluindo os Estados Unidos, reafirmaram hoje o seu “apoio inabalável à Ucrânia na defesa da sua integridade territorial e do seu direito de existir”.
Há um ano, um mês após o regresso de Donald Trump à Casa Branca (presidência), os Estados Unidos votaram contra uma resolução que pedia uma “paz justa”, e que acabou adotada pela Assembleia-Geral da ONU.
Na sequência, com o apoio da Rússia, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que pedia uma paz rápida, mas sem mencionar a integridade territorial da Ucrânia, para grande consternação dos aliados europeus de Kiev.
Até então, o Conselho estava paralisado pelo veto russo sobre essa questão.
“Apesar dos esforços de paz liderados pelos Estados Unidos e apoiados pela Europa, a Rússia continua sem demonstrar qualquer vontade real de pôr fim a essa agressão”, afirmou hoje a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Mariana Betsa hoje presente na ONU.
“Se o regime de Kiev realmente quisesse uma paz duradoura, concentraria os seus esforços em garantias de segurança para a Ucrânia e a Rússia, e não em outra votação politizada”, respondeu a vice-embaixadora russa Anna Evstigneeva.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
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