
Nações Unidas, Nova Iorque, 12 set 2025 (Lusa) – Mais de 100 novos locais podem ter sido usados para albergar armamento quÃmico sÃrio, além dos 26 inicialmente declarados na SÃria, afirmou hoje a ONU.
A informação foi disponibilizadas à Organização para a Proibição de Armas QuÃmicas (OPAQ) e avançada ao Conselho de Segurança da ONU pela alta representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, que destacou um “notável progresso” sobre este dossiê nos últimos meses.
Izumi Nakamitsu destacou o compromisso das novas autoridades sÃrias de cooperar plenamente com o secretariado técnico da OPAQ, admitindo terem sido feitas “descobertas preocupantes” sobre o que resta do programa de armas quÃmicas do regime de Bashar al-Assad.
“No relatório deste mês, o secretariado técnico da OPAQ indicou que, além dos 26 locais declarados relacionados a armas quÃmicas, as informações disponibilizadas à OPAQ sugerem que há mais de 100 outros locais que podem ter estado envolvidos em atividades relacionadas com armas quÃmicas”, disse a alta representante.Â
Face a essa descoberta, a OPAQ planeia visitar todos esses locais, mas sempre tendo em consideração questões de segurança no local.
Até ao momento, a OPAQ ainda não conseguiu confirmar se declarações apresentadas pelas anteriores autoridades sÃrias eram precisas e completas.
“Um total de 26 questões pendentes foram relatadas, das quais 19 permanecem sem solução”, afirmou Nakamitsu, frisando que a substância dessas questões é de “grave preocupação”, uma vez que envolve grandes quantidades de agentes de guerra quÃmica e munições quÃmicas potencialmente não declarados ou não verificados.
Desde março deste ano, equipas da OPAQ fizeram quatro visitas à SÃria para consultar autoridades competentes e visitar locais declarados e suspeitos de armazenar armas quÃmicas.
De acordo com a ONU, novas visitas estão em fase de preparação.
Durante um destacamento realizado em abril, a OPAQ recolheu três amostras num dos locais visitados, que posteriormente vieram a revelar indÃcios de agentes nervosos.
“Esta é uma descoberta preocupante. A OPAQ compartilhou os resultados com as autoridades sÃrias e pretende abordar a questão em novas deslocações”, explicou Nakamitsu.
A ONU admitiu agora haver desafios significativos pela frente em relação ao dossiê de armas quÃmicas da SÃria, apelando ao apoio de toda a comunidade internacional.
O diretor-geral da OPAQ observou que as tarefas futuras provavelmente serão mais complexas do que aquelas realizadas há 11 anos, quando se deu a destruição do programa de armas quÃmicas declarado da SÃria.
A OPAQ tem já planos de destruição de quaisquer armas quÃmicas que venham a ser identificadas e resÃduos.
“Existe atualmente uma oportunidade crucial para obter esclarecimentos há muito esperados sobre a extensão e o escopo completos do programa de armas quÃmicas da SÃria e para livrar o paÃs de todas as armas quÃmicas”, insistiu Izumi Nakamitsu perante o Conselho de Segurança, instando a uma colaboração deste órgão da ONU.
Esta reunião foi também a primeira em que participou o novo embaixador da SÃria na ONU, Ibrahim Olabi. O diplomata afirmou que Damasco trabalha incansavelmente para se tornar um refúgio de paz e prosperidade na região após anos de luta dos sobreviventes das armas quÃmicas.
O embaixador reforçou que o Presidente interino, o ex-lÃder rebelde Ahmad al-Sharaa, assegurou à s vÃtimas que as armas quÃmicas não voltarão a ser usadas no paÃs e não poupará esforços para garantir que os perpetradores sejam levados à justiça.
“O regime de Assad realizou estas atividades no maior sigilo e criou uma complexa estrutura de segurança para contornar as inspeções e desrespeitar a convenção sobre armas quÃmicas, o que exige muita cooperação entre todas as partes envolvidas”, admitiu Olabi.
O embaixador salientou existirem outros desafios, como a fragilidade das infraestruturas e uma economia desgastada por anos de conflito, que têm dificultado o reerguer do paÃs.
Olabi garantiu que a nova liderança sÃria está empenhada em destruir o arsenal de armas quÃmicas.
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