
Santo Domingo, 25 mar 2023 (Lusa) — O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, defendeu hoje que a colocação de armas nucleares táticas da Rússia na Bielorrússia marca “outra escalada do conflito” na Ucrânia, invadida pelos russos.
Numa entrevista à agência EFE em Santo Domingo, República Dominicana, à margem da Cimeira Ibero-Americana, Josep Borrell disse que o anúncio feito hoje pelo Presidente russo, Vladimir Putin, é também “mais um sinal da colaboração do regime ditatorial da Bielorrússia com a Rússia”.
“Demonstra que temos razão quando tomamos medidas contra o regime da Bielorrússia”, quando se adotam sanções, acrescentou.
Josep Borrell recordou que hoje é o Dia Internacional da Solidariedade com a Bielorrússia, que se assinala desde as “eleições fraudulentas”, lembrando que há mais de 1.500 prisioneiros polÃticos naquele paÃs.
“A Bielorrússia é uma sociedade nas garras de um regime completamente cativo da sua aliança com Moscovo, e a implantação de armas táticas na Bielorrússia só aumenta esse grau de dependência desse regime que a UE já sancionou e combate apoiando as forças bielorrussas” que lutam na frente dele, acrescentou.
Perante isto, sublinhou, é preciso continuar a fazer “mais do mesmo”: “manter as sanções, manter a pressão, manter o apoio à oposição bielorrussa, apoiá-la financeira e politicamente, tudo o que podemos fazer, mas temos que continuar a fazê-lo”.
Putin anunciou hoje um acordo com a Bielorrússia para a implementação de armas nucleares táticas naquele paÃs que faz fronteira com a Ucrânia, defendendo que tal não viola os pactos nucleares existentes.
O presidente russo referiu que em 01 de julho estará concluÃda a construção de um depósito especial para colocar aquelas armas no território bielorrusso.
O governo do Reino Unido reconheceu no inÃcio da semana ter intenção de fornecer munições com urânio empobrecido à s Forças Armadas da Ucrânia, suscitando assim crÃticas dos russos, que alertam até para uma possÃvel escalada do conflito na Europa de Leste.
Londres, no entanto, defendeu a decisão, argumentando que esse tipo de munição nada tem a ver com armas nucleares e afirmou que não demonstrou afetar negativamente a vida das pessoas ou o meio ambiente, um ponto que Moscovo rejeita e até instou as autoridades britânicas a testar a referida munição em território britânico.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra, que hoje entrou no seu 395.º dia, 8.317 civis mortos e 13.892 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
JRS (VP/ANC) // APN
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