
Buenos Aires, 04 out 2024 (Lusa) – A ministra dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Diana Mondino, prometeu que o paÃs irá recuperar as ilhas Malvinas depois de o Reino Unido ter aceitado transferir a soberania do arquipélago de Chagos para as MaurÃcias.
“A longa disputa entre a Grã-Bretanha e as MaurÃcias chegou hoje [quinta-feira] ao fim (…). Comemoramos este passo na direcção certa e pondo fim a práticas obsoletas”, disse a ministra, na rede social X (antigo Twitter).
“Seguindo o caminho que iniciámos, com acções concretas e não com retórica vazia, recuperaremos a plena soberania das nossas ilhas Malvinas. As Malvinas foram, são e serão sempre argentinas”, acrescentou Mondino.
Pouco antes, as autoridades britânicas das Malvinas reconheceram que pode haver preocupação no território depois do acordo com as MaurÃcias, mas notaram que “os contextos jurÃdicos e históricos” dos dois arquipélagos são diferentes.
Além disso, observaram que Londres “não aceitará nada que possa pôr em perigo a soberania de outros territórios ultramarinos”.
Em 24 de setembro, Mondino, e o homólogo britânico, David Lammy, decidiram retomar o diálogo sobre questões relacionadas com as Ilhas Malvinas, excluindo a soberania do arquipélago.
Os dois ministros concordaram em retomar as negociações para finalizar a terceira fase do projeto que, com a intervenção da Cruz Vermelha Internacional, procura identificar os corpos dos soldados argentinos mortos na guerra de 1982 entre os paÃses, motivada pela disputa das Malvinas.
Mondino e Lammy também decidiram organizar, até ao final do ano, uma viagem às ilhas de familiares de argentinos mortos, para que possam visitar os túmulos dos soldados ali sepultados.
O acordo entre o Reino Unido e as MaurÃcias foi anunciado na quinta-feira, numa declaração conjunta entre os primeiros-ministros dos dois paÃses, após dois anos de negociações.
O pacto polÃtico prevê que o Reino Unido e os Estados Unidos continuem a utilizar a base militar na ilha de Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, durante um perÃodo inicial de 99 anos.
O tratado “resolverá os erros do passado” e expressará “o compromisso de apoiar o bem-estar dos chagossianos”, os cerca de dois mil habitantes indÃgena de Chagos que foram expulsos nas décadas de 1960-70 para as ilhas MaurÃcias e Seychelles, para permitir o estabelecimento da base militar.
Assim, “a MaurÃcia será agora livre de implementar um programa de reinstalação nas ilhas do arquipélago de Chagos, fora de Diego Garcia”, enquanto o Reino Unido fornecerá financiamento através de um fundo fiduciário.
“Cinquenta e seis anos após a nossa independência, a nossa descolonização está concluÃda (…). O hino nacional vai ressoar ainda mais alto em todos os nossos territórios”, celebrou o primeiro-ministro das Ilhas MaurÃcias, Pravind Kumar Jugnauth, numa mensagem à nação.
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