Apoio a imigrantes em risco financeiro com cortes previstos até 2028

FOTO: ENVATO

As instituições que acompanham recém-chegados enfrentam um cenário de incerteza financeira, que ameaça comprometer respostas consideradas essenciais. A redução das verbas atribuídas pelo governo federal, após a revisão das metas de imigração, poderá produzir efeitos até 2028.

O alerta resulta de um inquérito a 48 organizações governamentais. Os dados indicam que 44% preveem o encerramento de programas e 56% antecipam interrupções ou redução de serviços. Paralelamente, 68% admitem despedimentos, estimando-se a perda de cerca de 310 postos de trabalho.

Estas entidades asseguram formação linguística, apoio à integração profissional e orientação no acesso à habitação. Como o financiamento depende das previsões anuais de imigração  permanente, a descida das metas, que passaram de valores próximos dos 500 mil para 380 mil novos imigrantes por ano, traduziu-se numa diminuição dos orçamentos.

O impacto é agravado pelo elevado número de pedidos de asilo pendentes, mantendo a rede de apoio sob forte pressão. Responsáveis do setor alertam que os cortes afetam sobretudo a formação linguística avançada, determinante para o acesso a emprego qualificado. Sem esse apoio, aumentam os riscos de instabilidade financeira e precariedade habitacional entre os recém-chegados.

As organizações receiam agora o prolongamento dos tempos de espera e a sobrecarga das equipas, com reflexos na qualidade do atendimento. Defendem, por isso, uma reavaliação das opções orçamentais, sublinhando que a integração eficaz dos imigrantes é determinante para a coesão social e para o desenvolvimento económico do país.