
Beja, 30 abr 2025 (Lusa) — Os prejuÃzos provocados pelo apagão energético de segunda-feira atingem, pelo menos, três milhões de euros no setor do leite e laticÃnios, estimou hoje a confederação das cooperativas agrÃcolas, que pede ao Governo uma compensação para os produtores.
“Houve produtores que tiveram de deitar leite fora porque não tinham condições de armazenamento”, relatou, aos jornalistas em Beja, o presidente da Confederação das Cooperativas AgrÃcolas e do Crédito AgrÃcola de Portugal (Confagri), Idalino Leão.
Também a recolha do leite nos produtores, segundo o responsável, “foi feita mais tarde”, o que provocou estrangulamentos “depois na fábrica, porque a quantidade foi de tal ordem que causou alguns constrangimentos”.
“Nas nossas contas, estes constrangimentos podem rondar os três milhões de euros”, admitiu o presidente da Confagri, que falava aos jornalistas à margem de seminário realizado na feira agropecuária Ovibeja, na cidade alentejana.
Idalino Leão realçou que, na área da agricultura, os setores da pecuária, do leite, dos laticÃnios e da carne foram os mais afetados pelo corte da energia elétrica.
“Estamos a falar de produtos perecÃveis, em que a cadeia de frio é fundamental para a sua funcionalidade e continuidade laboral” e o fornecimento de eletricidade na segunda-feira “foi interrompido durante 12 horas”, salientou.
Quanto ao setor da carne, acrescentou, também existem prejuÃzos, porque “unidades de abate e transformação tiveram que encerrar”, por falta energia para os sistemas de refrigeração, mas, neste caso, ainda não estão contabilizados.
Assinalando que o levantamento dos prejuÃzos ainda está a ser feito, o responsável referiu que a estimativa de três milhões de euros no setor do leite e laticÃnios abrange as perdas registadas nos produtores, na cadeia logÃstica e na indústria.
O presidente da Confagri frisou que “a tutela já é sabedora destes prejuÃzos”, esperando que o Governo “olhe com sensibilidade” para o problema.
“Há muitos custos contabilizados que devem ser compensados”, concluiu.
A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) também já reclamou a criação de uma linha de apoio e a proibição das energéticas alegarem motivos de força maior perante os custos decorrentes do apagão, que levou a que animais deixassem de ser enviados para consumo.
O apagão de segunda-feira ocorreu às 11:33 de Lisboa e afetou todo o território de Portugal e Espanha continentais e algumas zonas do sul de França.
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