
Lisboa, 11 mai 2021 (Lusa) — A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) considerou hoje que o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, “está a abrir várias linhas de guerra” e classificou como “ofensivas” as afirmações do governante sobre ex-chefes militares.
“O senhor ministro está a abrir várias linhas de guerra com que certamente não se irá sair muito bem”, declarou hoje o presidente da AOFA, coronel António Mota, que participava numa conferência de imprensa da EUROMIL, organização europeia de associações e sindicatos militares.
Em causa estão as declarações do ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, que acusou na segunda-feira ex-chefes militares de “manobras escusas” para “perpetuar a influência” nas Forças Armadas, declarando não se intimidar em relação à s reformas legislativas em curso.
Quanto à s declarações do governante socialista, António Mota disse que “para além de serem diárias, são cada vez mais ofensivas”, acrescentando que a associação não desce ao nÃvel do ministro e que este “não tem sequer a mÃnima noção” do que é ser militar.
O presidente da AOFA insistiu que a reforma em causa, “para além de concentrar excessivamente o poder numa única pessoa”, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), está baseada numa ideia defendida pelo ministro de “aproximar ou igualar Portugal à quilo que se passa nos restantes paÃses da europa e da NATO”.
“Devolvendo as palavras ao senhor ministro, se aquilo que pretende para as Forças Armadas em termos de estrutura superior é aproximar ou igualar, como ele próprio diz, as Forças Armadas portuguesas à s Forças Armadas europeias, designadamente as do norte da Europa, então terá de ter atenção a tudo, e portanto o pacote terá de ser completo”, reconhecendo à s associações socioprofissionais portuguesas os mesmos direitos desses paÃses, apontou.
Já o presidente da EUROMIL, Emmanuel Jacob, apelou ao Governo português para que oiça as associações e parceiros sociais neste processo.
Escusando-se a comentar em pormenor o conteúdo da reforma em causa, e ressalvando que numa negociação coletiva existem sempre limitações, o responsável defendeu que, “no mÃnimo”, os parceiros sociais devem ser ouvidos no processo, porque serão eles a executar as leis aprovadas no parlamento.
“As forças militares não se resumem a aviões, navios, tanques ou o que for, incluem também equipamento, pessoal, motivação e trabalho em conjunto”, acrescentou.
As propostas do executivo liderado por António Costa para alterar a Lei de Defesa Nacional e a Lei Orgânica de Organização das FA (LOBOFA) vão ser apreciadas, num primeiro momento, esta terça-feira, na comissão parlamentar de Defesa Nacional, seguindo-se o debate alargado em sessão plenária na semana seguinte.
O executivo, na senda de tentativas similares por parte de outros Governos, em 2009 e 2014, pretende concentrar mais poderes e competências na figura do Chefe do Estado-Maior das FA (CEMGFA), designadamente em termos de comando operacional conjunto dos três ramos da FA (Marinha, Exército e Força Aérea).
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