
Vila Nova de Gaia, Porto, 10 mar 2025 (Lusa) — O antigo comissário europeu António Vitorino pediu hoje “bom senso” para que se encontre uma solução para o paÃs que “garanta estabilidade”, apontando que se preocupa mais com o dia a seguir à s eleições.
“Saberemos isso [se teremos eleições em maio] amanhã [terça-feira]. Espero que haja bom senso e se encontre uma solução que garanta estabilidade. As eleições são legÃtimas. A mim preocupa-me mais é o dia a seguir à s eleições”, disse António Vitorino.
Em Vila Nova de Gaia (distrito o Porto), à entrada para a conferência “Imigração: O desafio da proximidade”, onde vai intervir na sessão de encerramento enquanto presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, António Vitorino não quis dar opinião sobre o momento atual da polÃtica portuguesa, nem sobre se esta podia ter sido evitada, sublinhando apenas a legitimidade das eleições.
“As eleições são uma forma legÃtima de resolver situações de impasse”, disse António Vitorino, que ainda se encontra em reflexão sobre uma eventual candidatura à Presidência da República.
Em causa está a crise polÃtica que poderá ditar a queda do Governo PSD/CDS de LuÃs Montenegro com a não aprovação da moção de confiança apresentada pelo executivo.
António Vitorino vincou que “cabe aos protagonistas polÃticos definirem quais são as regras do jogo e, sobretudo, o que é que podemos esperar de um resultado eleitoral”.
“Em democracia o diálogo entre os partidos polÃticos é fundamental. Se há um impasse ou uma situação de irredutibilidade, as eleições são uma forma de solução”, terminou.
Hoje decorre, em Lisboa, aquele que pode ser o último Conselho de Ministros do Governo em plenitude de funções dado que o parlamento debate na próxima terça-feira uma moção de confiança ao executivo minoritário PSD/CDS-PP, que tem chumbo anunciado, com os votos do PS e Chega.
Às 21:00, o PS reúne, na sede nacional, também em Lisboa, a comissão polÃtica nacional do partido, um dia depois de um encontro, no domingo, do lÃder socialista, Pedro Nuno Santos, com os lÃderes das federações distritais.
No sábado, num almoço do Dia da Mulher, na Maia, Porto, Montenegro afirmou que lhe “parece que não há alternativa” a eleições antecipadas, garantindo que é sua responsabilidade “evitar que Portugal seja um paÃs envolto em lama”.
Horas depois, em Lisboa, Pedro Nuno Santos respondeu e acusou o primeiro-ministro de “estar na lama” para a qual arrastou PSD, Governo e agora querer levar também o paÃs. E avisou que o executivo de direita que “nunca poderá ter a confiança” dos socialistas.
O chumbo de um voto de confiança implica a demissão do Governo. O Presidente da República, face a este cenário, já antecipou que as datas possÃveis para realizar legislativas antecipadas o mais breve possÃvel são 11 ou 18 de maio.
A atual crise polÃtica teve inÃcio em fevereiro com a publicação de uma notÃcia, pelo Correio da Manhã, sobre a empresa familiar de LuÃs Montenegro, Spinumviva, detida à altura pelos filhos e pela mulher, com quem é casado em comunhão de adquiridos, – e que passou esta semana apenas para os filhos de ambos – levantando dúvidas sobre o cumprimento do regime de incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos públicos e polÃticos.
Depois de mais de duas semanas de notÃcias — incluindo a do Expresso de que a empresa Solverde pagava uma avença mensal de 4.500 euros à Spinumviva – de duas moções de censura ao Governo, de Chega e PCP, ambas rejeitadas, e do anúncio do PS de que iria apresentar uma comissão de inquérito, o primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, anunciou a 05 de março a apresentação de uma moção de confiança.
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PFT (NS)// ACL
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