
Haia, 16 jul 2024 (Lusa) — Um ex-membro do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) foi hoje condenado a 18 anos de prisão por crimes de guerra cometidos no decurso da rebelião independentista kosovar contra as forças sérvias no final da década de 1990.
O Tribunal Especial para o Kosovo (TEK), com sede em Haia, PaÃses Baixos, condenou Pjeter Shala sob a acusação de detenções arbitrárias, atos de tortura e assassinato cometidos contra pelo menos 18 civis na Fábrica de Metais de Kukes, na Albânia.
As 18 vÃtimas, na maioria albaneses kosovares, foram presas, interrogadas e torturadas por alegadamente colaborarem com a Sérvia ou pela sua oposição à s atividades do UÇK. Pelo menos um dos detidos foi assassinado.
Shala, 60 anos, também conhecido por “Comandante Lobo”, foi detido na Bélgica em março de 2021. Sentenciado a uma pena única, foi absolvido do crime de “tratamento cruel”.
O TEK, financiado pela União Europeia (UE), é uma instância de direito kosovar composta por juÃzes internacionais e que investiga os crimes de guerra cometidos pelo UÇK no decurso do conflito.
Os confrontos, entre 1998 e 1999, provocaram cerca de 13.000 mortos e terminaram quando as forças sérvias se retiraram da antiga provÃncia com maioria de população albanesa após uma campanha de bombardeamentos da NATO que se prolongou por 11 semanas.
A instância judicial já emitiu acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra diversos altos responsáveis do UÇK, incluindo o antigo Presidente do Kosovo Hashim Thaçi (2016-2020), que se demitiu após ser indiciado.
Em dezembro de 2022, o tribunal emitiu o seu primeiro veredicto por crimes de guerra ao condenar a 26 anos de prisão um ex-comandante do movimento armado separatista, Salih Mustafa, que dirigia um centro de torturas.
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