Antigo líder político irlandês Gerry Adams nega qualquer ligação ao IRA

Londres, 17 mar 2026 (Lusa) — O antigo presidente do partido irlandês Sinn Féin Gerry Adams negou hoje, em tribunal, ter pertencido ao Exército Republicano Irlandês (IRA) ou participado em atentados, num processo movido por vítimas de ataques de 1973 e 1996.

Num depoimento escrito, Adams, de 77 anos, rejeitou categoricamente qualquer envolvimento no planeamento, preparação ou execução de ataques terroristas atribuídos ao IRA.

O processo judicial foi interposto por Jonathan Ganesh, John Clark e Barry Laycock, feridos em atentados em Londres e Manchester, sob a alegação que Adams integrava a liderança da organização, incluindo o Conselho do Exército, reclamando uma indemnização simbólica de uma libra.

Perante o juiz do Tribunal Superior de Londres, Adams reiterou que nunca foi membro do IRA nem exerceu qualquer função de comando na organização.

“Nunca fui membro do IRA ou do Conselho do Exército… Nunca desempenhei uma função de comando e controlo”, afirmou Adams, acrescentando também desconhecer a estrutura interna do grupo.

O antigo líder do partido nacionalista irlandês Sinn Féin sublinhou, contudo, estar consciente do sofrimento das vítimas, frisando que a sua defesa não visa “minimizar as suas experiências horríveis”.

Durante a audiência, Adams apresentou-se com um trevo na lapela, símbolo da Irlanda, e desejou ao juiz um “feliz Dia de São Patrício”.

Testemunhos apresentados em tribunal vieram contradizer a versão de Adams, com o coronel britânico Richard Kemp a afirmar dispor de informação que identificava o antigo líder do Sinn Féin como uma figura proeminente do IRA.

Na semana passada, também Shane Paul O’Doherty, antigo membro da organização, tinha declarado que Adams era um dos líderes seniores.

O IRA conduziu uma campanha armada entre 1969 e 1998, para pôr fim ao controlo britânico na Irlanda do Norte e promover a reunificação da Irlanda.

O conflito terminou com o Acordo de Sexta-Feira Santa, em 1998, tendo o IRA declarado formalmente o fim da luta armada em 2005.

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