
Moscovo, 20 mai 2022 (Lusa) — O antigo chanceler alemão Gerhard Schröder, próximo do Presidente Vladimir Putin e sob fortes crÃticas desde o inÃcio da invasão russa da Ucrânia, abandonou o conselho de administração da Rosneft, anunciou hoje o grupo petrolÃfero russo.
Segundo a Rosneft, a maior empresa petrolÃfera russa, Schröder informou o grupo de que não podia prolongar as suas funções como presidente do conselho de administração.
A par de Gerhard Schröder, o também alemão Matthias Warning, vice-presidente do conselho de administração da petrolÃfera e diretor executivo da empresa russa de gasodutos Nord Stream 2, deixou a companhia.
Na quinta-feira, o Bundestag – a câmara baixa do parlamento alemão – decidiu retirar ao antigo chanceler alguns dos seus privilégios como ex-dirigente do paÃs devido à sua proximidade com a Rússia e com o Presidente, Vladimir Putin.
“Os grupos parlamentares da coligação [do Governo] tiraram as consequências do comportamento do ex-chanceler e lobista Gerhard Schröder face à invasão russa da Ucrânia”, referiu a comissão parlamentar do Orçamento.
O Governo de coligação na Alemanha – que reúne sociais-democratas, ecologistas e liberais — já tinha anunciado na quarta-feira que pretendia remover as vantagens atribuÃdas ao antigo chanceler do paÃs Gerhard Schröder (1998-2005), na sequência das suas ligações profissionais com empresas de energia controladas pelo Estado russo.
A coligação governamental também justificou a decisão com o facto de “o ex-chanceler Schröder já não assumir nenhuma obrigação contÃnua relacionada com o seu cargo”.
Os membros do Parlamento Europeu aprovaram, também na quarta-feira, por grande maioria, uma resolução não vinculativa pedindo-lhe nomeadamente para se demitir dos seus cargos.
No inÃcio deste ano, a equipa de Schröder demitiu-se e o ex-chanceler enfrentou uma onda de indignação de ex-aliados polÃticos quando o jornal norte-americano The New York Times o citou dizendo que o massacre de civis na cidade ucraniana de Bucha “tinha de ser investigado”, mas que ele não acreditava que as ordens tivessem partido de Vladimir Putin, seu amigo de longa data.
O ex-chanceler está sob pressão desde o inÃcio da invasão russa da Ucrânia, dado que, ao contrário da maioria dos ex-lÃderes europeus com funções em empresas russas, Schröder não renunciou aos cargos, tendo sido, desde então, destituÃdo de honras por várias cidades e alvo de pedidos para a sua expulsão do Partido Social-Democrata Alemão (SPD).
Ainda assim, o antigo lÃder garantiu, em abril, que não tinha intenção de renunciar aos cargos a menos que Moscovo interrompesse as entregas de gás à Alemanha.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.
A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 86.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas — cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,3 milhões para os paÃses vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e polÃticas a Moscovo.
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