
Luanda, 16 set 2026 (Lusa) — Angola possui 220 locais de desembarque de pescado, mais de metade informais, avançou hoje a ministra das Pescas e Recursos Marinhos angolana, que defendeu a necessidade de investimento público-privado de qualidade para melhor organização.
Carmen dos Santos fala na abertura da VI edição da Conferência E&M sobre “Economia Azul”, dedicada ao tema “Do Potencial MarÃtimo ao Fomento Industrial — Infraestruturas Portuárias e de Transporte, Transformação e Novas Cadeias de Valor”.
Segundo a ministra, o setor tem atualmente o maior número de embarcações que trabalha ao longo das 200 milhas e dos cerca de 1.650 quilómetros da costa atlântica, “uma presença notória e comprometida com a necessidade de organização”.
Ainda sobre os locais de desembarque de pescado, a governante angolana realçou que 115 cais são informais e conflituam com outras ocupações realizadas na costa marÃtima angolana.
A ministra das Pescas e Recursos Marinhos realçou que o setor está a tentar levar a cabo o trabalho, que espera concluir no próximo ano, de organização dos locais de desembarque, “que tragam infraestruturas, lotas organizadas com coisas básicas, como gelo, água, energia, conservação, inspeção sanitária, manutenção de embarcações, transporte adequado e todas as operações conexas que se adivinham quando uma indústria se instala”.
“É neste tipo de iniciativas que nós trazemos a oferta que vimos fazendo, que é trazer investimento de qualidade público e privado”, referiu a ministra.
Carmen dos Santos frisou que o objetivo é obter um investimento que, além da construção de infraestruturas, traga também a sua manutenção e apoio às embarcações, que dentro do território angolano fazem a produção do pescado.
A titular da pasta das Pescas e Recursos Marinhos disse que o setor conta com o Corredor do Lobito, infraestrutura que liga por ferrovia a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao litoral angolano, no porto do Lobito, para o escoamento do pescado, um produto perecÃvel, e também do sal.
“É esta ligação que os corredores nos trarão, olhando para a ligação do litoral até à s terras do leste, cobrindo efetivamente todo a área continental de Angola, e que nos permitem efetivamente fazer uma exportação regional, que se afigure importante, estruturada e que contribua efetivamente para a nossa economia e para isso é necessária organização”, destacou.
Na mesa-redonda, o diretor de grandes empresas do Standard Bank Angola, André Reigota, centrou a intervenção na questão do financiamento, e referiu que “Angola não está sozinha a competir por um capital que é escasso, mas que existe”.
O ‘gap’ financeiro global estimado do continente africano é de cerca de 100 biliões de dólares (86,6 mil milhões e euros) por ano, afirmou.
André Reigota vincou que para o acesso ao financiamento é fundamental que Angola seja capaz, eficiente e ágil na apresentação e estruturação de projetos, “para que se consiga chegar à frente na corrida pelo capital que existe no continente africano”.
O gestor realçou também que a banca lida bem com previsibilidade e a distribuição de riscos dos projetos, reiterando a necessidade de se encontrar projetos de qualidade que atraiam esse capital.
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