
Luanda, 22 nov 2021 (Lusa) – O Governo de Angola prevê regressar já este ano ao crescimento positivo, antevendo uma ligeira expansão económica de 0,2%, antes de acelerar o crescimento para 2,4% em 2022, segundo o Orçamento do Estado.
De acordo com a proposta aprovada na Assembleia Nacional a 9 de novembro, o paÃs deverá regressar ao crescimento positivo este ano, depois de cinco anos consecutivos de recessão económica, desencadeada pela descida dos preços do petróleo, em 2016, e, mais recentemente, pelas consequências da pandemia de Covid-19.
No documento, o Ministério das Finanças antevê que em 2022 a economia cresça 2,4% em 2022 e perspetiva uma forte descida do rácio da dÃvida pública face ao Produto Interno Bruto, que subiu nos últimos anos devido, em parte, à desvalorização do kwanza.
Com uma valorização da moeda nacional em quase 10% de janeiro a setembro deste ano, o rácio da dÃvida deverá descer para cerca de 82% no final deste ano, o que permite que Angola mantenha a intenção de regressar aos mercados de dÃvida internacionais em 2022, conforme anunciou a ministra das Finanças na semana passada.
A “polÃtica expansionista” assumida pelo Governo mantém, no entanto, a preocupação com a sustentabilidade das finanças públicas, já que praticamente metade das receitas são destinadas a garantir o pagamento dos juros da dÃvida no próximo ano, num total de 3 020,9 mil milhões de kwanzas, que representam 12% do PIB.
A saÃda da recessão já este ano, a confirmar-se, será sustentada no crescimento da economia não petrolÃfera, que deverá expandir-se 5,2%, já que a economia petrolÃfera deverá manter-se negativa, reduzindo-se em 10,6%, segundo as previsões do Governo.
O preço de referência para o petróleo no próximo ano foi estipulado em 59 dólares por barril, uma perspetiva assumidamente “conservadora” e que permitirá ao Governo, como tem sido hábito nos últimos anos, ter mais receita do que aquela que está prevista no documento, o que ajuda a garantir que o saldo orçamental seja positivo.
Angola deverá produzir 1,148 milhões de barris diários, mais 18 mil barris diários do que os 1,130 milhões de barris previstos para a média de 2021.
No Orçamento para 2022, o Governo assume como prioridades o combate à pandemia, o controlo da dÃvida, o relançamento da economia e o fortalecimento do investimento público, e aponta como principais riscos à execução orçamental a evolução da economia global, o preço do petróleo, um abrandamento da economia não petrolÃfera, a taxa cambial e uma produção petrolÃfera abaixo do previsto.
Sobre a vacinação, essencial para garantir o regresso à normalidade, a previsão aponta para a vacinação de 60% da população elegÃvel até final deste ano, percentagem que deve subir para 95% no final do próximo ano.
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