Angola quer passar de “diplomacia de afirmação” para “influência estratégica”

Luanda, 01 abr (Lusa) — Angola quer evoluir de uma “diplomacia de afirmação” para uma “diplomacia de influência estratégica”, assumindo um papel mais proativo e transformador na cena internacional, afirmou hoje o ministro das Relações Exteriores, Téte António.

Discursando na abertura da conferência sobre os 50 anos da presença de Angola na Organização da Unidade Africana/União Africana (OUA/UA) e nas Nações Unidas, o governante defendeu uma mudança de paradigma na política externa, com o país a passar “de uma presença participativa para uma atuação propositiva, proativa e transformadora”.

Téte António enquadrou esta ambição num contexto internacional “mais fragmentado, marcado por rivalidades estratégicas, ruturas e polarização”, defendendo que Angola “não pode limitar-se a reagir”, devendo afirmar-se como “sujeito ativo, capaz de influenciar e moldar” os rumos do sistema internacional.

Destacou ainda o papel de Angola como “fator de equilíbrio, promotor de paz e catalisador de soluções africanas para os problemas africanos”, sublinhando a atuação do país em processos de mediação e estabilização regional, sobretudo na África Central e Austral.

No plano multilateral, o ministro salientou que Angola cumpriu dois mandatos como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, além de integrar o Conselho Económico e Social, o Conselho dos Direitos Humanos e a Comissão de Consolidação da Paz.

Téte António apontou ainda as áreas em que Angola pretende afirmar-se nos debates globais, incluindo segurança energética, alterações climáticas, segurança alimentar e mobilidade humana, e defendeu o investimento na formação de uma nova geração de diplomatas com competências técnicas e visão geopolítica.

O ministro sublinhou que a diplomacia angolana nasceu ligada às lutas de libertação, tendo contribuído para o fim do colonialismo e do ‘apartheid’, e que o país pretende agora afirmar-se como ator relevante na construção de soluções globais.

A conferência, que decorre ao longo de dois dias na Tenda da Marginal de Luanda, integra vários painéis temáticos sobre o percurso de Angola na OUA/UA e na ONU, bem como uma exposição fotográfica sobre a história do país naquelas organizações.

Para quinta-feira está prevista uma cerimónia de outorga de medalhas e diplomas de reconhecimento a personalidades que contribuíram para o fortalecimento da diplomacia angolana ao longo das últimas cinco décadas.

 

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