Angola prevê arrecadar mais de 42,7 ME com turismo marítimo até 2027

Luanda, 03 fev 2026 (Lusa) — O Governo angolano aprovou um programa de desenvolvimento do turismo marítimo e de cruzeiros que prevê atrair até 4.000 visitantes em 2027 e receitas de 50,4 milhões de dólares (42,7 milhões de euros), entre 2025 e 2027.

Segundo um decreto presidencial a que a Lusa teve acesso, o executivo angolano projeta um crescimento progressivo do número de visitantes, com 2.500 turistas na temporada 2025–2026, 3.000 em 2026–2027 e 4.000 em 2027, projetando receitas totais superiores a 50 milhões de dólares neste período.

As projeções financeiras assentam num gasto médio diário de 90 dólares por visitante (76 euros), considerando que 70% dos passageiros transportados pelos navios de cruzeiro desembarcam nos portos nacionais e realizam despesas em terra, nomeadamente em restaurantes, comércio, excursões e atividades culturais.

Entre 2013 e 2025, Angola recebeu 35 navios de cruzeiro e um total de 20.908 visitantes, com uma média de cinco navios por ano, dados que servem de base às metas definidas para o período 2025–2027, no qual o Governo pretende consolidar o país como destino emergente de turismo marítimo em África.

O programa, avaliado em 5,3 mil milhões de kwanzas (5,0 milhões de euros), estabelece ainda como objetivo o aumento da contribuição do turismo para o Produto Interno Bruto, dos 0,64% registados em 2022 para 0,87% em 2027, prevendo atingir 2,5% em 2030, no quadro da estratégia de diversificação económica.

A estratégia assenta em quatro eixos estratégicos, destacando-se o reforço das infraestruturas portuárias e da logística, com a reabilitação e adaptação dos portos de Luanda, Lobito e Namibe para receber navios de cruzeiro, incluindo serviços de apoio, acessos e ligações aos principais pontos turísticos.

O segundo eixo incide na qualificação e diversificação da oferta turística, prevendo o desenvolvimento de roteiros culturais, históricos e naturais, bem como o apoio a pequenas e médias empresas ligadas ao artesanato, restauração e animação turística, com o objetivo de aumentar o tempo de permanência e o nível de despesa dos visitantes.

A promoção internacional e as parcerias constam o terceiro eixo, prevendo-se a participação de Angola em feiras internacionais especializadas do setor e ações de promoção dirigidas a operadores e companhias de cruzeiros.

O quarto eixo centra-se na segurança, hospitalidade e experiência do passageiro, incluindo medidas de simplificação de vistos, reforço da segurança portuária e turística e alinhamento com padrões internacionais do setor.

O Governo estima que a implementação do programa resulte na criação de 6.955 empregos temporários até 2027, o que representa um aumento de 79,5% face ao período 2022 a 2025, com impactos diretos e indiretos na hotelaria, restauração, transportes, comércio e atividades culturais, sobretudo nas cidades portuárias.

Segundo o decreto, o turismo marítimo e de cruzeiros é encarado como um instrumento para dinamizar as economias locais, aumentar as receitas fiscais e portuárias e posicionar Angola como destino competitivo no mercado internacional de cruzeiros, em alinhamento com o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027 e a estratégia Angola 2050.

 

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