
Luanda, 16 dez 2021 (Lusa) — Angola espera duplicar para 200 mil os elementos da polÃcia nacional, até 2025, para responder à “carência de efetivos” e alcançar a cobertura a nÃvel do paÃs, anunciou o comandante-geral desta força.
Segundo o comandante-geral da PolÃcia Nacional de Angola (PNA), Paulo de Almeida, a escassez de efetivos a nÃvel do paÃs, com cerca de 30 milhões de pessoas, é um facto e Angola tem de atingir os cerca de 200 mil efetivos em 2025.
“Senão, não vamos alcançar a demanda da cobertura policial mesmo com os meios que tivermos à nossa disposição”, afirmou hoje Paulo de Almeida, durante um encontro com os jornalistas, em Luanda.
Angola, com 18 provÃncias, conta atualmente com perto de 100 mil efetivos, “dos quais 70 mil são operacionais, num rácio de um polÃcia para 2.000 pessoas que é difÃcil de controlar”.
“Logicamente temos muitos campos e áreas sem cobertura por carência de efetivos, e hoje o policiamento faz-se também com técnica e tecnologia, mas face aos nossos parcos ou quase inexistentes recursos temos estado sujeitos a fazer um policiamento fÃsico”, frisou.
Para o comandante-geral da polÃcia angolana, o policiamento fÃsico “não dá e nem pode ser total e nem completo”, notando que “muitas vezes a sociedade reclama da ausência da polÃcia”.
“É quase difÃcil agir, mas eu glorifico esses nossos camaradas que têm feito um esforço titânico para poder garantir uma certa estabilidade e ordem”, apontou.
A segurança pública, as condições técnicas e humanas da polÃcia angolana, a postura dos efetivos durante manifestações e a relação destes com os jornalistas foram alguns dos temas abordados neste encontro.
O comandante-geral da PNA lamentou também os “escassos recursos” técnicos, tecnológicos e financeiros colocados à disposição do efetivo que dirige, referindo que o desempenho da corporação “não é fácil”.
“Nós temos uma árdua tarefa, esta é uma missão espinhosa, nem sempre agradável, porque à s vezes restringe direitos e liberdades dos cidadãos e nem todos gostam que as suas liberdades constitucionalmente consagradas sejam coartadas”, disse.
“E à s vezes também temos que nos impor para que haja ordem e disciplina e, neste atuar, à s vezes pode não ser agradável aos destinatários e da nossa parte também pode haver alguns excessos”, admitiu.
Paulo de Almeida recordou que a corporação policial angolana é composta por vários estratos sociais, “entre o camponês, o operário, o intelectual e outros”, e onde se encontra igualmente o “disciplinado e aquele que apenas ingressou para ter o primeiro emprego, e não tem a convicção, muitas vezes, da missão que irá assumir, ou também aqueles que por força da conjuntura atual buscam na polÃcia a sua solução do seu modo de vida”.
A atual estratificação da polÃcia angolana, no entender de Paulo de Almeida, “dificulta também a linhagem daquilo que se pretende que seja a deontologia profissional dos efetivos”.
Para se formar um polÃcia, observou, “no mÃnimo é necessário um ano”, mas “infelizmente, pela necessidade de cobertura policial em Angola, o comando-geral é forçado a reduzir esta formação para 65 dias”.
“E muitas vezes esse polÃcia não sai com a doutrina interiorizada, ele no decorrer o seu trabalho vai aprendendo, mas não é igual o que aprendemos nas escolas”, sublinhou.
Paulo de Almeida negou ainda a existência de qualquer concurso público no seio da polÃcia e explicou que o enquadramento tem sido feito de modo especial, como ocorreu recentemente com o recrutamento de 1.500 efetivos para a polÃcia de intervenção rápida.
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