
Genebra, 07 nov 2023 (Lusa) — Angola e Moçambique foram os paÃses e território de lÃngua oficial portuguesa que mais casos de tuberculose registaram em 2022, de acordo com um relatório hoje divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a doença.
Aqueles dois paÃses, mais o Brasil, continuam a figurar na lista dos 30 paÃses com mais casos de tuberculose, à semelhança da anterior edição do Relatório Mundial sobre a Tuberculose 2023, que apresenta dados sobre as tendências da doença e a resposta à epidemia em 192 paÃses e territórios e fornece uma avaliação exaustiva e atualizada da epidemia de tuberculose e dos progressos na resposta a nÃvel mundial, regional e nacional.
No que diz respeito a todos os paÃses e territórios de lÃngua oficial portuguesa, e a partir da aplicação móvel que a OMS disponibilizou, com a informação por paÃs e territórios, a partir do banco de dados global de tuberculose, é possÃvel comparar a informação de novos casos e de óbitos entre 2015 e 2022.
Angola é o paÃs ou território de lÃngua oficial portuguesa com o maior número de casos e de óbitos: 119 mil e 19 mil, respetivamente.
Moçambique acompanha Angola no número de casos, 119 mil, mas no que diz respeito a óbitos é o terceiro, com 5,3 mil.
O Brasil registou 105 mil novos casos e 7,2 mil óbitos.
No caso de Angola, o relatório destaca que é um dos paÃses cuja população enfrenta “despesas de saúde catastróficas particularmente elevadas”.
O Brasil, por seu lado, é um dos paÃses com elevada carga de tuberculose que regista os nÃveis mais elevados de cobertura de tratamento em 2022, isto é, superior a 80%.
Embora continuando a ser um dos paÃses com mais casos de tuberculose, Moçambique merece destaque positivo no relatório ao apresentar progressos na redução do número de mortes causadas pela tuberculose.
Moçambique registou uma redução de 50% nos óbitos resultantes da tuberculose no perÃodo 2015-2022.
O relatório da OMS destaca ainda o aumento substancial do investimento nos cuidados de saúde no Brasil e Moçambique.
“De 2000 a 2020, registaram-se aumentos notáveis nas despesas de saúde (de todas as fontes) ‘per capita’ num pequeno número de paÃses com elevada incidência de TB, nomeadamente os paÃses de rendimento médio-alto como o Brasil e, no caso de Moçambique esse aumento é apresentado como sendo uma “tendência constante”.
Relativamente aos restantes paÃses e território de lÃngua oficial portuguesa, Cabo Verde, com 180 novos casos e 19 óbitos, é o que apresenta o melhor registo.
Quanto aos restantes paÃses e territórios de lÃngua oficial portuguesa, no que diz respeito à incidência de novos casos, a Guiné-Bissau registou 7,6 mil, seguindo-se Timor-Leste (6,7 mil), Guiné Equatorial (4,6 mil), Região Administrativa Especial de Macau (340) e São Tomé e PrÃncipe (260).
No registo de óbitos, a Guiné-Bissau notificou 1,5 mil, seguindo-se Timor-Leste (770), Guiné Equatorial (310), São Tomé e PrÃncipe (55) e Macau (28).
Causada por bactérias ‘Mycobacterium tuberculosis’ que afetam mais frequentemente os pulmões, a doença pode espalhar-se quando pessoas doentes com tuberculose expelem bactérias no ar — por exemplo, tossindo.
A tuberculose é evitável e curável. Cerca de 85% das pessoas que desenvolvem tuberculose podem ser tratadas com sucesso com um regime medicamentoso de quatro a seis meses.
O tratamento tem o benefÃcio adicional de reduzir a transmissão da infeção.
Citado no documento, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, salienta que atualmente estão disponÃveis os conhecimentos e as ferramentas para por cobro à TB.
“Temos um empenhamento polÃtico e temos uma oportunidade que nenhuma geração na história da Humanidade teve: a oportunidade de escrever o capÃtulo final da história da tuberculose”, acrescentou.
A diretora do Programa Mundial da OMS para a doença, Tereza Kasaeva, igualmente citada no relatório, recorda que existem “compromissos fortes dos lÃderes mundiais na declaração polÃtica da segunda reunião de alto nÃvel da Nações Unidas sobre a tuberculose”.
Esses compromissos, salientou, “dão um forte impulso para acelerar a resposta à TB”.
“O presente relatório fornece dados e provas sobre a situação da epidemia de TB e uma análise dos progressos, que podem servir de base à tradução destes compromissos e objetivos em ações nos paÃses. Precisamos de todas as mãos à obra para tornar a visão de acabar com a tuberculose uma realidade”, concluiu.
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