Angola e Brasil assinam acordo para facilitar futuros investimentos

Luanda, 15 set 2026 (Lusa) — Os Governos de Angola e do Brasil assinaram hoje, em Luanda, um memorando de entendimento que vai facilitar e trazer conforto legal aos futuros investimentos de empresários brasileiros no país africano, com foco na produção de grãos.

O documento, que visa o incentivo à cooperação em investimento produtivo agropecuário, foi rubricado pelos ministros da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, e pelo ministro de Estado da Agricultura e Pecuária brasileiro, André de Paula Filho.

Isaac dos Anjos destacou que, além dos futuros empresários brasileiros que Angola deverá receber, o memorando vai também beneficiar os que já se encontram instalados no território angolano.

“Não tenho receio de admitir que as condições estão criadas para termos bons resultados. Esperamos poder convidá-lo daqui a uns quatro anos para assistir à nossa primeira missão de exportação”, referiu Isaac dos Anjos, dirigindo-se ao homólogo.

Em declarações à imprensa, o ministro brasileiro André de Paula Filho referiu que o instrumento legal vai dar consistência à relação que já existe entre Angola e o Brasil.

“Somos países que temos vínculos históricos, culturais, somos unidos pela mesma língua e ganhamos quando estamos juntos. Este memorando permite que empresários brasileiros possam participar do desenvolvimento da agricultura de Angola”, destacou.

Segundo disse, o memorando é fruto de um esforço conjunto entre os dois Governos, que inclui já a elaboração de um plano de trabalho que concretiza as intenções, com prazos e datas.

“Esse memorando prevê atividades em quase todas as áreas e permite que haja uma maior previsibilidade de regras e incentivos”, salientou, acrescentando que o Brasil e Angola têm muitas semelhanças do ponto de vista climático, fator importante para a partilha de conhecimentos e experiências.

André de Paula Filho avançou que, com este memorando, o acesso ao crédito a partir de bancos estatais fica facilitado, devido ao apoio declarado pelos dois Governos.

“Isto que estamos a fazer tem reflexo claro também em números, porque permitem o acesso ao crédito, incentivo que estamos dispostos a dar às atividades”, disse.

Integram a delegação brasileira oito empresários do ramo da agricultura, disse o ministro, expressando que há um grande interesse destes investidores que esperavam “esse arcaboiço legal que dá estabilidade, previsibilidade, consistência à relação, a chancela dos dois Governos para investirem”.

David Schmidt é produtor rural no oeste da Baía, trabalha com grãos, produção de algodão e fruticultura (cacau e banana), faz parte do grupo de empresários que pretende investir em Angola, e é também líder do Projeto Terra Lunda, a ser implementado na província angolana da Lunda Norte.

De acordo com o empresário, é importante haver segurança nos investimentos a serem feitos, realçando que ambas as partes estão expectantes, sobretudo os brasileiros para empreenderem em Angola, um grande cliente de produtos agrícolas brasileiros.

“Acreditamos que podemos aproximar essa produção do mercado consumidor não só angolano, mas de toda a África, produzindo em Angola, para isso precisamos de alguma segurança, que assegure não só o recurso que vamos empenhar aqui nas propriedades rurais em Angola, mas também todo o tempo dedicado ao desenvolvimento de um projeto, que não é simples”, frisou.

O empresário brasileiro acrescentou que vão ser realizados encontros com o Fundo Soberano de Angola, o Banco de Desenvolvimento de Angola, o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e outras entidades que vão assegurar os recursos para o desenvolvimento do projeto.

Para começar, a aposta está virada para a produção de milho, para reverter as necessidades de importação atual, alargando depois para o feijão, amendoim e soja, disse.

NME // MLL

Lusa/Fim