
Lisboa, 24 jul 2019 (Lusa) – A Associação Nacional de Revendedores de CombustÃveis (Anarec) sublinhou hoje a necessidade de ser garantida a segurança no acesso aos postos de abastecimento e à s plataformas logÃsticas dos motoristas que não adiram à greve marcada para 12 de agosto.
Para a Anarec as condições de segurança devem também ser garantidas aos motoristas que vão estar incumbidos de cumprir os serviços mÃnimos que venham a ser definidos, o que exigirá uma “articulação entre a Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA) e as forças de segurança”.
“Consideramos essencial que seja feita uma divulgação ampla da REPA juntos das entidades prioritárias, como forma de facilitar os abastecimentos efetuados por estas entidades”, refere o presidente da direção da Anarec, Francisco Albuquerque, em comunicado.
A Anarec foi uma das entidades que, a par com o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) e a ANTRAM, estiveram reunidos hoje na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), para definir os serviços mÃnimos para a greve de agosto, tendo a reunião terminado sem que houvesse consenso sobre esta questão.
No pré-aviso de greve entregue pelos sindicatos, eram propostos serviços mÃnimos de 25% em todo o paÃs. Por sua vez, as empresas propunham 70% de serviços mÃnimos garantidos.
Para Anarec, os serviços mÃnimos propostos pelos sindicatos são “claramente insuficientes” tendo em conta a situação constatada em abril, “em que os mesmos foram previstos em número superior [40%], e já se revelaram incapazes de fazer face à s necessidades básicas da população e do tecido empresarial português”.
Na greve iniciada em 15 de abril, o Governo estipulou a garantia dos serviços mÃnimos com 40% dos trabalhadores em funções, mas apenas para Lisboa e Porto.
Posteriormente, o Governo acabou por decretar uma requisição civil e, depois, convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.
Manifestando a sua preocupação pelo impacto e efeitos que esta nova greve possa ter na população e na rede de postos de abastecimento por todo o paÃs, a Anarec sublinha a sua disponibilidade para continuar a colaborar com todas as entidades do setor no sentido de minimizar os impactos da paralisação, caso a mesma venha efetivamente a concretizar-se.
Na segunda-feira, o SIMM ameaçou consequências mais graves para a greve que começa em 12 de agosto do que as sentidas em abril, através de uma carta aberta enviada às redações.
O sindicato avisou que, além dos combustÃveis, a próxima greve vai afetar também o abastecimento à s grandes superfÃcies, à indústria e aos serviços, podendo “faltar alimentos e outros bens nos supermercados”.
A indústria, alertou o SIMM, “vai sofrer graves perdas e grandes exportadoras como a Autoeuropa correm o risco de parar a laboração”.
Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022.
Estes sindicatos acusam a ANTRAM de já ter aceite este acordo e de agora estar a voltar atrás na decisão, o que a associação desmente.
Segundo fonte sindical, existem em Portugal cerca de 50.000 motoristas de veÃculos pesados de mercadorias, 900 dos quais a transportar mercadorias perigosas.
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