
Redação, 01 jul 2021 (Lusa) — A deputada do PS e antiga ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, rejeitou hoje, numa audição do parlamento, que possa ter “falta de isenção” para ocupar o cargo de presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).
Como personalidade indigitada para liderar o regulador, Ana Paula Vitorino foi ouvida na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação e garantiu que, das suas anteriores funções governativas, de deputada e outras atividades que levou a cabo, “não resulta qualquer incompatibilidade e impedimento” à sua nomeação como presidente da AMT.
“Quanto à isenção, independência e transparência”, Ana Paula Vitorino recordou o parecer da CReSAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública), que a considerou adequada para a função, depois de avaliar estas questões. “Não trabalhei em áreas que vão ser reguladas”, garantiu a deputada, que foi ainda secretária de Estado dos Transportes, entre 2005 e 2009.
“Sou idónea, cumpridora da lei, isenta e livre. Não tenho obediências partidárias”, garantiu, confrontada pelos deputados que a questionaram sobre a sua ligação ao programa do Governo do PS e a ligações familiares.
“Já fui acusada de não ceder a pressões, já fui muito prejudicada por defender com teimosia o interesse público, prejudicando interesses particulares”, assegurou, salientando ainda que “a AMT não tem competências polÃticas”.
Quanto à s ligações familiares, Ana Paula Vitorino deixou crÃticas ao deputado do PSD, Carlos Silva. “Enquanto mulher não aceito nem aqui nem em qualquer sÃtio que ponham em causa a minha capacidade e independência por viver seja com quem for [com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita]”, vincou.
“Isso chama-se machismo e misoginia”, criticou, referindo que nunca admitiu “a tutela moral a ninguém”.
“Eu penso pela minha cabeça assim como a maioria das mulheres do paÃs”, rematou a deputada.
Em resposta, Carlos Silva disse que não estava a colocar em causa questões de género nem relações familiares e sim “como proteger a AMT quando no Conselho de Ministros são tratados centenas e centenas de milhões de euros” e nesse mesmo órgão “está uma pessoa que tem relações familiares” com Ana Paula Vitorino.
Quanto à s suas prioridades para a AMT, Ana Paula Vitorino defendeu “uma visão mais moderna da regulação”, advogando uma “concorrência como forma de prestar um melhor serviço” aos cidadãos.
“Tem de se aceitar a concorrência se for no sentido de melhorar a qualidade do serviço e não no sentido estritamente económico”, explicou.
Ana Paula Vitorino rematou a sua audição anunciando que “chegou ao fim” a sua carreira polÃtica.
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