
Beirute, 23 mar 2021 (Lusa) – Centenas de refugiados sÃrios no LÃbano são vÃtimas de abusos por parte das autoridades do paÃs, que permitem tortura, detenções arbitrárias e deportações para a SÃria, violando as leis internacionais, refere um relatório da Amnistia Internacional. Â
O documento da organização não-governamental divulgado hoje indica ainda que desde 2014 o grupo terrorista Estado Islâmico começou a infiltrar-se no LÃbano, através da fronteira sÃria, misturando-se entre os refugiados civis.
Marie Forestier, investigadora da Amnistia Internacional (AI), reportou 26 casos em que, sob o pretexto da luta contra o terrorismo, refugiados sÃrios, incluindo quatro crianças, foram presos de forma “injusta”. Â
Muitos outros detidos informaram que foram submetidos a métodos de tortura semelhantes aos que são praticados nas prisões sÃrias, como o uso de choques elétricos ou simulação de execuções.
A AI incluiu no relatório casos de deportações de refugiados para a SÃria sob acusações infundadas de terrorismo.
“Desde o inÃcio da revolução sÃria, até ao momento, alguns serviços de segurança libaneses tentaram deportar para a SÃria refugiados civis”, disse Mohamed Sablouh, um dos entrevistados pela investigação da AI.
O relatório menciona o princÃpio internacional que “proÃbe os Estados de enviarem pessoas para um local onde correm riscos de violação grave de direitos humanos como a perseguição, tortura ou pena de morte”.
Segundo a Amnistia Internacional, encontram-se no LÃbano mais de um milhão e meio de refugiados sÃrios.
O Ministério da Justiça do LÃbano indicou à AI que até 2019 deportou 6.002 sÃrios, sem especificar quantos foram acusados de “terrorismo”.
Entre as vÃtimas das detenções arbitrárias sob a acusação de terrorismo constam menores de idade e mulheres, utilizados como forma de pressão junto dos familiares, e que sofrem agressões fÃsicas violentas e violações sexuais.Â
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Lusa/fim
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