
Lisboa, 30 ago 2019 (Lusa) — O presidente da Aliança admite que o objetivo do partido é eleger um grupo parlamentar nas eleições legislativas de outubro e apela ao voto daqueles que se costumam abster, salientando que veio “para ficar, independentemente dos resultados”.
Em entrevista à agência Lusa, Pedro Santana Lopes disse que se apresenta à s eleições de 06 de outubro – as primeiras legislativas a que o partido concorre – “com a força de vontade de querer uma representação parlamentar”.
“Espero eleger em Lisboa dois ou três deputados, e mais outros tantos, vamos ver no Porto, vamos ver em Braga”, afirmou, mostrando-se esperançoso de que “a próxima legislatura tenha um grupo parlamentar da Aliança, menor ou maior”.
Para justificar estas pretensões, o lÃder da Aliança baseia-se nos resultados obtidos nas eleições de maio para o Parlamento Europeu, nas quais o partido não conseguiu eleger eurodeputados, mas teve mais de 61 mil votos.
Fiando-se “nos resultados das europeias”, os cÃrculos “onde mais possibilidades” o partido poderá ter são Setúbal, Braga, Aveiro, Porto e de Lisboa, a lista que encabeça, sustentou.
Uma vez no parlamento, os deputados da Aliança seriam oposição e “nunca” contribuiriam para viabilizar um Governo socialista.
Santana Lopes considera que a entrada de novas forças polÃticas para a Assembleia da República “é importante para o sistema polÃtico português” e, por isso, espera que “não seja só a Aliança a entrar de novo”.
“Não sei quem, isso é com os portugueses”, ressalvou, mas advogou que “este grupo do G5 [no parlamento] já cansa”.
Na opinião do antigo primeiro-ministro, “o sistema partidário vai mudar, é inexorável, é inevitável”, mesmo apesar de isso ser “muito difÃcil” devido ao que considerou ser a falta de espaço mediático dos partidos mais recentes, bem como quanto a dificuldades de financiamento, uma vez que as forças polÃticas que não conseguem mandatos não têm subvenção estatal.
“Não tenho dúvida disso, e a Aliança será um dos agentes dessa mudança. Nós viemos para ficar, para durar, independentemente dos resultados que vamos tendo a cada momento, estamos na luta”, vincou, indicando que “este é um projeto a médio e longo prazo” que poderá também “eleger vereadores e até um ou outro presidente de câmara em diferentes sÃtios do paÃs”.
“Bastava-me ter três dias por semana a aparecer na televisão. A senhora dona Catarina [Martins, lÃder do BE] dar um terço do tempo que ela tem aos novos partidos é eu garanto-lhe que tinha pelo menos 5%, pelo menos”, apontou Santana Lopes.
O presidente da Aliança criticou o facto de os debates pré-eleições não contemplarem os partidos sem representação e defendeu que “não podem ser as televisões a escolher o parlamento”.
“Acha que os portugueses não gostavam de ouvir um debate, por exemplo, entre mim e o doutor Costa, ou entre mim e o doutor Rio?”, questionou, deixando a sugestão de que estes frente-a-frente poderiam ter ocorrido no perÃodo de férias.
Face a isto, a Aliança admite apresentar queixa junto das “instâncias internacionais que velam pela liberdade de imprensa”, depois de esta semana se ter manifestado em frente à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Admitindo que a Aliança contribui para a pulverização da direita, Pedro Santana Lopes assinalou que disputa eleitorado e não militantes, pelo que se dirige principalmente “para quem se abstém”.
Ainda assim, não rejeita ir buscar votos “até ao Bloco ou ao PAN”, uma vez que pode ir “buscar a todos” os partidos.
“A mim o que me dá impressão à s vezes é que algum centro-direita, ou a maior parte do centro-direita, se entregou ao destino, desistiram de lutar, desapareceram”, salientou.
Notando que “parece que há uma resignação” e que esta “é uma crise da direita que dá muito jeito”, o presidente da Aliança referiu que “a dúvida é se o PS vai ter maioria absoluta ou próximo da maioria absoluta”.
“Eu nunca vi isto em décadas que tenho da vida polÃtica”, indicou, deixando crÃticas também à s ideologias movidas por “flashes ou slogans”, justificando que como as pessoas “estão fartas dos velhos partidos e da polÃtica, e muito zangadas”, aderem ao que pareça “menos complicado e mais sedutor”.
Numa retrospetiva de vida, o antigo primeiro-ministro e presidente das Câmaras Municipais da Figueira da Foz e Lisboa recordou que já esteve à frente dos “cargos praticamente todos”, considerando que “já correu bem, já correu mal”.
Questionado sobre uma possÃvel candidatura à Presidência da República, Santana respondeu que prefere o “trabalho de executivo”.
“A Presidência da República é um lugar mais representativo. Pode-se estar muito junto das pessoas, mas neste momento está bem entregue e vai estar entregue para um segundo mandato, estou convencido”, disse Pedro Santana Lopes, revelando que “daqui a uns meses” o partido vai decidir se apoia Marcelo Rebelo de Sousa numa eventual recandidatura.
Já sobre um regresso ao PSD, partido que liderou entre novembro de 2004 e abril de 2005, o advogado rejeitou essa possibilidade, apontando que “é duro e muito duro começar algo do zero, era mais confortável obviamente estar num grande partido”, mas que está “a fazer aquilo” que a sua consciência dita e que lhe permite “dormir bem todos os dias”.
“Mais horas, menos horas, mas durmo bem e enquanto assim for cá andarei a lutar por aquilo em que acredito”, acrescentou.
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