
Moscovo, 19 out 2023 (Lusa) — O lÃder opositor russo, Alexei Navalny, que cumpre uma pena de quase 30 anos de prisão, saiu hoje em defesa dos seus advogados que se encontram presos sob acusação de extremismo.
“Acusá-los de entregar mensagens extremistas è ridÃculo. Quero expressar o meu apoio e reconhecimento a Vadim Kobzev, Alexei Lipster e Igor Sergunin”, disse Navalny.
Navalny apelou também aos juristas russos para “não permanecerem calados e manifestarem-se como uma frente unida em defesa dos seus colegas”.
“Percebe-se perfeitamente. São perseguidos por ajudar o seu cliente, destruindo assim as últimas hipóteses de defesa”, acrescentou Navalny.
O lÃder opositor russo afirmou que a prisão dos três advogados tem como objetivo a “punição pelo magnifico trabalho” dos mesmos, “intimidando a sociedade, e especialmente os advogados que se atrevem a defender polÃticos detidos”.
A União Europeia (UE) pediu no domingo à s autoridades russas que libertassem “imediatamente” os três advogados do lÃder russo, para que possam continuar a exercer e a reunirem-se com o seu cliente.
“A UE apela à sua libertação imediata, devem ser autorizados a exercer as suas funções jurÃdicas e a encontrar-se com o seu cliente, que está injustamente isolado”, declarou Peter Stano, porta-voz do alto representante da UE Josep Borrell, na rede social X.
Os três advogados foram presos no dia 13 de outubro acusados de extremismo, pelo que a sua equipa viu a ação como “um ato de intimidação com a clara intenção de isolar completamente Navalny”.
O porta-voz afirmou que o sistema jurÃdico na Rússia foi mais uma vez “instrumentalizado para a repressão”.
“Após a detenção de Navalny por motivos polÃticos, os seus advogados de defesa foram agora detidos”, afirmou Stano.
O chefe do departamento jurÃdico da equipa de Navalny, Vyacheslav Gimadi, escreveu na rede social X que os advogados estão detidos ao abrigo do artigo 91 do Código de Processo Penal, o que significa que têm o estatuto de suspeitos e não de testemunhas.
Navalny, de 47 anos, que já estava a cumprir uma pena de nove anos de prisão por alegada fraude, foi condenado em agosto passado a mais 19 anos de prisão por criar uma organização extremista, uma referência à FBK, fundada em 2011 e proibida há dois anos.
A FBK tornou-se um alvo do Kremlin por denunciar o enriquecimento ilÃcito de altos funcionários, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin, a quem acusou, em 2021, de possuir um sumptuoso palácio nas margens do Mar Negro.
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