
São Paulo, 10 jul 2020 (Lusa) — Os alertas de fogo usados para mapear a desflorestação da Amazónia no Brasil saltaram 25% no primeiro semestre do ano face o mesmo perÃodo de 2019, anunciou hoje o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O INPE, instituição cientÃfica ligada ao Governo brasileiro, faz o monitorização, por satélite, da floresta amazónica e de outros biomas do paÃs.
Os alertas sobre desflorestação na maior floresta tropical do mundo atingiram uma área de 3.069 quilómetros quadrados, o número mais alto desde o inÃcio da série histórica desses dados, segundo o INPE.
O mês de junho, que marca o inÃcio da estação seca e dos incêndios na Amazónia brasileira, também atingiu o recorde de 1.034 quilómetros quadrados de desflorestação, um aumento de quase 11% na comparação ano a ano.
O Brasil é alvo de crÃticas constantes de muitos paÃses e ambientalistas pela desflorestação em larga escala e os incêndios que assolam a floresta tropical todos os anos durante a estação seca.
O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, disse na quinta-feira que representantes de fundos internacionais de investimento condicionaram a sua participação em projetos ambientais no paÃs a “resultados” no combate a destruição da floresta.
“Não é verdade que a floresta é destruÃda para produzir alimentos”, disse o vice-presidente do executivo de Jair Bolsonaro, que coordena o Conselho Nacional da Amazónia.
O vice-presidente brasileiro afirmou ainda que investidores internacionais pediram resultados na área ambiental e frisou a intenção de tentar coibir a destruição da floresta.
“A ideia é que ao longo do mandato, com operações repressivas, consigamos gradualmente reduzir as ilegalidades, para chegarmos a um número de desflorestação aceitável”, disse Mourão após o encontro virtual com investidores estrangeiros, em que participou, ao lado de vários ministros.
O Governo brasileiro tenta agora melhorar a sua imagem no exterior em relação à proteção da Amazónia e de povos indÃgenas, diante de crÃticas e alertas que tem recebido de investidores que estão preocupados com temas como o aumento da desflorestação e os incêndios na região.
Organizações ambientais têm denunciado o aumento de incêndios florestais durante a estação seca na Amazónia brasileira, que geralmente dura até setembro, após altas taxas de desflorestação atingirem a região no ano passado.
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, BolÃvia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).
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