
Berlim, 19 mar (Lusa) — A Alemanha começou hoje a leiloar frequências para a futura rede de telecomunicações 5G, sem excluir fabricante chineses, apesar dos apelos de Washington, que alerta para riscos de espionagem.
A fabricante chinesa Huawei, que é lÃder na tecnologia neste setor, não pode concorrer diretamente aos 42 blocos de frequências leiloadas, mas fornece equipamentos à s operadoras alemãs, apesar dos apelos do Governo dos EUA para que os Estados europeus não permitam a concorrência chinesa, alegando razões de segurança e de violação de direitos de patentes.
O governo norte-americano tem feito apelos para que os seus aliados impeçam as empresas chinesas, em particular a Huawei, de fornecer tecnologia para as redes 5G, considerando que elas são potenciais espiões industriais e que violam regras de direitos de patentes.
A Austrália, o Japão e a Nova Zelândia já excluÃram empresas chinesas de concursos tecnológicos, por essas razões.
“A Huawei é um fornecedor importante, já presente nas nossas redes anteriores, e seria difÃcil excluÃ-la. Não é o que pretendemos”, afirmou Jochen Homman, presidente da Agência Federal de Redes, numa entrevista a uma estação de televisão.
A Agência Federal de Redes supervisiona o leilão hoje iniciado, que deve durar várias semanas e que permitirá ao Governo alemão arrecadar entre três e cinco mil milhões de euros — dinheiro que deverá ser investido em programas de digitalização de escolas.
A Huawei tornou-se, nos últimos anos, lÃder na tecnologia de redes 5G e vários governos já disseram que não se podem dar ao luxo de dispensar os seus serviços e o seu ‘know-how’.
Mas os Estados Unidos têm insistido junto de paÃses europeus, sobretudo da Alemanha, para que deixe a Huawei de fora de concursos.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado a Alemanha pela sua polÃtica comercial, quer na relação com a China, na área tecnológica, quer com a Rússia, no setor energético.
O embaixador dos EUA na Alemanha enviou recentemente uma carta ao ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, deixando a ameaça de rever os protocolos de partilha de informações entre os dois paÃses se a Alemanha não proibisse empresas chinesas de entrar no mercado de telecomunicações.
O tom das ameaças norte-americanas subiu de tom na semana passada, quando o Comandante Supremo das forças aliadas na Europa, o general Curtis Scaparrotti, disse que a NATO deixaria de se comunicar com as forças armadas alemãs se Berlim permitisse a intromissão tecnológica de empresas chinesas como a Huwaei.
“Estamos preocupados com a possibilidade de a estrutura das suas telecomunicações estar comprometida, porque, particularmente com o 5G, a capacidade de extrair dados das redes é muito elevada”, disse Scaparrotti.
O ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, já respondeu e disse que não há relações tecnológicas com a China e que está a ser preparada uma lei para limitar a participação de empresas chinesas em áreas consideradas estratégicas.
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