
Berlim, 04 mai 2021 (Lusa) — A Alemanha registou no ano passado um número recorde de crimes imputados a movimentos de extrema-direita, que continua a ser “a maior ameaça à segurança do paÃs”, anunciou hoje o ministro do Interior, Horst Seehofer.
Os crimes vão desde assassÃnios, como os de nove jovens de origem estrangeira em Hanau (centro), em fevereiro de 2020, até à incitação ao ódio racial ou saudações ao antigo lÃder nazi Adolf Hitler.
As estatÃsticas oficiais referem mais de 23 mil casos, em 2020, um aumento de 5,7% relativamente a 2019, segundo o ministro, que explicou que essas ofensas representam mais de metade dos crimes de motivação polÃtica (44.692) perpetrados na Alemanha, atingindo nÃveis recorde desde 2001, quando começou a ser feita a contabilidade.
O anúncio acontece no dia em que a polÃcia de Berlim deteve um cidadão de 53 anos, acusado de ter enviado dezenas de cartas ameaçadoras e polÃticos, advogados e jornalistas, assinadas com a siga de um grupo neonazi.
A polÃcia apreendeu um disco rÃgido criptografado com dados que podem ajudar à investigação, que aponta no sentido de mais um caso de criminalidade polÃtica, neste caso ligado a um grupo que foi responsável por uma série de ofensas violentas entre 1998 e 2011, incluindo mortes por motivos raciais.
“Há claramente tendências de aumento de violência no nosso paÃs”, lamentou Horst Seehofer, denunciando também o aumento dos crimes cometidos pela extrema-esquerda e por islamitas.
“Estes números são muito preocupantes. A tendência observada nos últimos anos é de consolidação”, explicou o ministro, referindo a existência de um “aumento da polarização” da sociedade.
As autoridades alemãs, mas também as organizações da sociedade civil, continuam a fazer soar o alarme sobre os perigos apresentados pelo ressurgimento de movimentos de extrema-direita num paÃs assombrado pelo seu passado nazi.
Durante vários anos, este género de ameaça foi subestimado pelos serviços de informações, que se concentraram principalmente na luta contra o islamismo e com os riscos de movimentos ‘jihadistas’.
Após o assassÃnio, em 2019, de um oficial conservador – um defensor da polÃtica de imigração da chanceler Angela Merkel – a Alemanha ficou chocada com um ataque fracassado a uma sinagoga em Halle (leste).
O agressor era um simpatizante de extrema-direita que, frustrado por não poder entrar na sinagoga, matou duas pessoas.
Em fevereiro de 2020, nove jovens, todos de origem estrangeira, foram mortos em Hanau, perto de Frankfurt, num ataque racista realizado por um homem envolvido em movimentos de conspiração.
Também 12 membros de um grupo neonazi estão a ser julgados desde meados de abril, em Estugarda, acusados de terem planeado ataques contra mesquitas e lÃderes polÃticos.
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