Alemanha entregou blindados Leopard a Kiev

Roterdão, Países Baixos, 27 mar 2023 (Lusa) — O chanceler alemão, Olaf Scholz, indicou hoje que a Alemanha entregou à Ucrânia tanques blindados Leopard.

“Sim, entregámos tanques Leopard, como anunciado”, declarou Scholz numa conferência de imprensa em Roterdão, nos Países Baixos, confirmando uma informação publicada pela revista semanal Der Spiegel, segundo a qual 18 tanques Leopard 2 foram entregues a Kiev.

Segundo a revista, os “últimos tanques deixaram a Alemanha no final da semana passada e foram já entregues” à Ucrânia.

Cerca de 40 veículos de combate de infantaria Marder foram igualmente entregues, acrescentou a Der Spiegel, precisando que o Governo de Olaf Scholz manteve “em segredo o itinerário” de entrega “por razões de segurança”.

Depois de ter sido pressionado por todos os lados para enviar Leopard 2 para a Ucrânia, o sucessor de Angela Merkel no executivo alemão deu no final de janeiro ‘luz verde’ para o envio de tanques pela Alemanha, tendo o envio sido anunciado por Berlim para “fim de março, início de abril”.

Soldados ucranianos receberam treino em bases alemãs para manejar tanques pesados de combate Leopard 2 do tipo 2A6.

Os Governos alemão e neerlandês realizaram hoje uma sessão conjunta na cidade portuária de Roterdão, no enorme armazém do museu de arte Boijmans Van Beuningen.

Scholz e o primeiro-ministro neerlandês, Mark Rutte, debateram o apoio militar à Ucrânia e a sua cooperação militar “única”, que chegou mesmo à fusão de determinadas unidades dos respetivos exércitos.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 397.º dia, 8.401 civis mortos e 14.023 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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