
Sesimbra, Setúbal, 15 jul 2021 (Lusa) — O tribunal de Setúbal adiou hoje as alegações finais no julgamento cÃvel da Lusófona e do ex-`dux´ João Gouveia para 22 de julho, para que o advogado da universidade possa avaliar os documentos apresentados por um oficial da Marinha.
A decisão da juÃza Elsa Ribeiro foi tomada depois de ter sido ouvido o capitão de Mar e Guerra António Martins, que apresentou as conclusões de uma avaliação do estado do mar na noite em que ocorreu a tragédia da praia do Meco, na qual seis alunos da Universidade Lusófona perderam a vida.
Além do testemunho, o oficial da Marinha deixou ao tribunal um conjunto de documentos que o advogado da Lusófona, Flávio Roques, pretende analisar antes das alegações finais, pelo que não prescindiu do prazo legal de cinco dias, a que tem direito para esse efeito.
De acordo com o oficial da Marinha Portuguesa, na noite em que os seis jovens perderam a vida, a ondulação na praia do Meco terá atingido os “cinco metros de altura” e nem mesmo um nadador olÃmpico conseguiria lutar contra a força das ondas, se tivesse sido arrastado para o mar.
Na opinião do advogado das famÃlias das vÃtimas, VÃtor Parente Ribeiro, as declarações do oficial da Marinha corroboram a ideia de que o único sobrevivente da tragédia, o ex-‘dux’ da Universidade Lusófona João Gouveia, só terá sobrevivido à força das ondas porque estava num patamar diferente, o que confirma a tese das famÃlias de que o ex-‘dux’ estaria a liderar uma praxe.
“Aquilo que ele [o oficial da Marinha] diz é que, naquele exato local onde aqueles jovens foram colhidos [por uma onda], é impossÃvel alguém resistir e sobreviver. Dá inclusive um exemplo: quem sobrevivesse num primeiro momento, a seguir era arrastado. E o próprio impacto das ondas destruÃa completamente a pessoa”, disse o advogado, procurando evidenciar alegadas contradições na versão apresentada pelo ex-‘dux’ João Gouveia, de que estaria precisamente no mesmo local em que se encontravam os seis jovens que morreram na praia do Meco quando foram apanhados por uma onda e arrastados para o mar.
Para VÃtor Parente Ribeiro, as declarações do capitão de Mar e Guerra António Martins, tal como as declarações do perito de medicina legal que também foi ouvido anteriormente pelo tribunal, corroboram a tese de que o ex-‘dux’ não estaria tão próximo da linha de água como os outros seis jovens que morreram em 15 de dezembro de 2013 na praia do Meco.
“Entendo que a reunião de todas estas peças de ‘puzzle’ levam claramente a perceber aquilo que aconteceu. E aquilo que aconteceu foi, claramente, uma situação que envolvia uma praxe”, disse.
Questionado pelos jornalistas, VÃtor Parente Ribeiro afirmou-se confiante de que, no final do processo cÃvel, será dada razão à s famÃlias das vÃtimas, seja “na primeira instância, no Tribunal da Relação ou no Supremo Tribunal de Justiça”.
No julgamento a decorrer em Setúbal estão em causa seis ações cÃveis contra o único sobrevivente e a COFAC — Cooperativa de Formação e Animação Cultural, CRL (Universidade Lusófona), em que as famÃlias dos seis jovens reclamam uma indemnização de mais de um milhão de euros.
A sessão de hoje do julgamento ficou também marcada pela declaração de parte de Fernanda Cristóvão, mãe da Catarina, uma das seis vÃtimas da tragédia do Meco, que, emocionada, afirmou que o que move as famÃlias dos seis jovens “não é o dinheiro, é o amor e a justiça”.
As alegações finais, que estavam previstas para hoje, estão agora marcadas para as 14:00 do próximo dia 22 de julho.
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Lusa/Fim
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