Ajuda de Londres a Moçambique recua 90% até 2029

Maputo, 18 jul 2026 (Lusa) — O Governo britânico prevê reduzir em 90% a ajuda bilateral a Moçambique até 2029, passando dos atuais 58,5 milhões de euros para 5,8 milhões de euros anuais, mas mantendo cooperação em iniciativas de transição energética.

A redução enquadra-se na estratégia britânica de diminuição gradual da ajuda pública ao desenvolvimento para o equivalente a 0,3% do Rendimento Nacional Bruto até 2027, após a decisão do Governo de canalizar mais recursos para a despesa com defesa.

Os dados constam do Relatório e Contas 2025/26 do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido (FCDO), consultado hoje pela Lusa, que detalha as previsões de financiamento da ajuda pública ao desenvolvimento para os próximos anos.

Segundo o documento, Moçambique receberá 50,6 milhões de libras (58,5 milhões de euros) em 2025/26, valor que deverá cair para 27,8 milhões de libras (32,1 milhões de euros) no exercício seguinte, 15,9 milhões de libras (18,4 milhões de euros) em 2027/28 e cinco milhões de libras (5,8 milhões de euros) em 2028/29.

Moçambique figura entre os países mais afetados pela revisão da ajuda britânica, a par do Maláui, ambos com cortes previstos de 90% até 2028/29. No caso do país vizinho, a ajuda bilateral deverá cair para cinco milhões de libras (5,8 milhões de euros) em 2028/29. O FCDO prevê ainda reduções de 83% para o Ruanda, para igual valor de cinco milhões de libras, tal como a Serra Leoa.

O relatório refere que o Reino Unido destinou, globalmente, cerca de 8,7 mil milhões de libras (10,1 mil milhões de euros) à ajuda pública ao desenvolvimento durante o exercício de 2025/26, correspondente a aproximadamente 71% do orçamento total do FCDO, mas que a nova abordagem privilegia um número mais reduzido de parcerias consideradas de maior impacto estratégico.

Apesar da forte redução prevista para Moçambique, Londres afirma manter áreas de cooperação consideradas prioritárias, nomeadamente no domínio da transição energética e das alterações climáticas.

Nesse contexto, o relatório destaca que, durante a COP30, o Reino Unido acordou com Moçambique um plano de ação para energia limpa, integrado num conjunto de iniciativas semelhantes celebradas também com a União Africana, Caraíbas, Chile e Colômbia.

Segundo o FCDO, esses acordos destinam-se a mobilizar financiamento privado, reforçar capacidades técnicas e desenvolver carteiras de projetos aptos para investimento, como parte da estratégia britânica de promoção da transição energética nos países parceiros.

O documento não detalha o montante associado ao plano de ação com Moçambique, mas enquadra-o na política britânica de apoio à energia limpa, resiliência climática e desenvolvimento sustentável.

Os números apresentados mostram igualmente que a ajuda bilateral britânica a Moçambique tem registado oscilações significativas nos últimos anos.

Em 2020 ascendia a 52,9 milhões de libras (61,2 milhões de euros), baixando para 32,5 milhões de libras (37,6 milhões de euros) em 2021, 29 milhões de libras (33,5 milhões de euros) em 2022 e 31 milhões de libras (35,9 milhões de euros) em 2023, antes de subir para 47,4 milhões de libras (54,8 milhões de euros) em 2024.

O mesmo relatório indica ainda que a assistência humanitária britânica destinada a Moçambique aumentou de 4,7 milhões de libras (5,4 milhões de euros) em 2023 para 17,6 milhões de libras (20,4 milhões de euros) em 2024, refletindo uma prioridade acrescida ao apoio em situações de emergência.

Moçambique surge também entre os países abrangidos pelo Fundo de Crise do FCDO, que prevê uma alocação de dois milhões de libras (2,3 milhões de euros) no exercício de 2025/26.

O relatório refere ainda Maputo entre as localizações abrangidas por investimentos imobiliários da rede diplomática britânica, a par de cidades como Tóquio, Nicósia, Lagos e Bagdade.

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