
Paris, 12 jun 2026 (Lusa) – O presidente executivo (CEO) da Airbus considerou hoje que a Inteligência Artificial (IA) tem um potencial “enorme” para a indústria aeronáutica, mas admitiu que ainda existe grande incerteza sobre o impacto futuro e que, nesta fase, representa sobretudo custos.
Guillaume Faury participou no Paris Air Forum ao lado do presidente executivo (CEO) da empresa francesa de IA Mistral, Arthur Mensch, com quem a Airbus assinou um acordo de cooperação para os próximos cinco anos.
Segundo explicou, a parceria com a Mistral destina-se a aplicar a IA, entre outras áreas, aos processos industriais e de produção, assegurando simultaneamente a soberania dos dados, uma questão que considerou fundamental para uma tecnologia que depende do acesso a grandes volumes de informação.
“A Airbus dispõe de uma enorme quantidade de dados acumulados ao longo do tempo nas suas diferentes plataformas de produtos”, referiu.
Faury explicou que o desenvolvimento de uma aeronave gera grandes quantidades de informação, desde os manuais de fabrico aos de manutenção e certificação, defendendo que a IA poderá acelerar significativamente esses processos, reduzindo custos e erros.
Questionado sobre a possibilidade de a IA vir a substituir os pilotos, respondeu que os computadores de bordo já assumem, há muitos anos, uma parte significativa das operações de voo, devido à crescente complexidade e volume de informação que têm de ser processados.
“O trabalho dos pilotos continuará a existir, mas vai mudar”, afirmou, acrescentando que algumas tarefas poderão ser delegadas à IA, com potenciais benefícios, nomeadamente em matéria de segurança.
Já Arthur Mensch destacou que os ganhos proporcionados pela IA já são visíveis em áreas como a relação com os clientes, os serviços financeiros e, de forma mais ampla, nos serviços digitais.
O responsável da Mistral manifestou-se igualmente convicto de que os benefícios da tecnologia se tornarão evidentes em simulações de fenómenos físicos necessários ao desenvolvimento de tecnologias aeronáuticas.
Mensch alertou, contudo, que a expansão da IA coloca desafios relevantes para a soberania europeia, desde logo no plano económico, devido ao volume de negócios que já gera e que deverá continuar a aumentar.
Segundo acrescentou, as implicações estendem-se também às capacidades estratégicas e de defesa, às cadeias de valor e às garantias de abastecimento.
Na sua opinião, a primeira condição para a Europa não perder a corrida da IA passa por “pensar como uma potência” e evitar entregar a países terceiros o negócio dos centros de dados, que classificou como infraestruturas essenciais para transformar energia em capacidades de IA.
Apesar dos desafios, Arthur Mensch considerou que, na Europa, “as coisas evoluem lentamente na boa direção”.
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