
Madrid, 08 jul 2026 (Lusa) – A Airbus afirmou hoje que o tráfego aéreo mundial irá crescer em média 3,9% por ano até 2045, chegando aos 10.000 milhões de passageiros, duplicando o número atual, para o que serão necessários 42.060 aviões.
“Vamos ter um setor com um crescimento de quase 4% ao ano durante os próximos 20 anos”, resumiu o diretor de Análise e Previsões de Mercado da Airbus, Antonio da Costa, durante a apresentação da Previsão do Mercado Global (GMF) 2026-2045.
Para este ano, a empresa prevê encerrar com um crescimento de 2,1%, valor que, segundo o responsável pelo ‘marketing’ de produto da Airbus, Ignacio Serna, está em linha com os relatórios da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Para dar resposta a essa procura, o fabricante europeu estima que serão necessárias 42.060 aeronaves novas até 2045, das quais 19.820 se destinarão à substituição de aeronaves mais antigas e 22.240 para responder ao crescimento do mercado.
Do total, 81% corresponderão a modelos de corredor único e os restantes 19% a aviões de fuselagem larga, uma distribuição que a Airbus atribui à crescente procura de aeronaves com custos operacionais mais baixos e maior eficiência no consumo de combustível e nas emissões de dióxido de carbono (CO2).
Com as 3.490 aeronaves atuais que permanecerão em serviço, a frota mundial atingirá as 45.550 aeronaves em 2045.
O relatório sublinha ainda que as perturbações a curto prazo, como os conflitos regionais ou os preços elevados do combustível, não estão a travar a procura a longo prazo.
A Airbus associa este crescimento à urbanização e ao surgimento de novas ligações entre cidades médias e pequenas, cujo número crescerá “a um ritmo significativamente superior” ao das grandes “megacidades”.
A previsão da Airbus aponta ainda para uma deslocação gradual do centro de gravidade do mercado para a Ásia-Pacífico, onde economias como a Índia, o Vietname, a Indonésia e a Malásia impulsionarão grande parte do crescimento, favorecidas pelo aumento do produto interno bruto (PIB), pela urbanização e por um maior volume de viagens por motivos familiares.
Em termos demográficos, a empresa calcula que a classe média mundial — o grupo demográfico com maior probabilidade de viajar de avião, segundo o relatório — aumentará em 1.400 milhões de pessoas até 2045, um aumento de 34%, enquanto as áreas urbanas somarão mais 1.300 milhões de habitantes.
O envelhecimento das frotas, acelerado após a pandemia, está também a impulsionar um ciclo de renovação, e a proporção de aviões de última geração em serviço passará dos atuais 39% para quase 100% em 2045.
A Airbus mantém uma carteira de encomendas de cerca de 9.000 aviões e mais de 70% das encomendas da família A320 correspondem aos modelos A321neo e A321XLR, destinados a rotas de médio e longo curso com custos mais baixos.
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