Air France-KLM diz que TAP pode ter lugar central na organização do grupo

Lisboa, 19 fev 2026 (Lusa) — A Air France-KLM está a trabalhar numa oferta não vinculativa para a privatização da TAP, cuja rede é “muito complementar”, e diz diz que a companhia portuguesa pode vir a ter um lugar central na organização do grupo.

“Fomos selecionados para fazer parte do processo [de privatização da TAP], como um dos três grupos de companhias aéreas na Europa [que passaram à segunda fase]. Portanto, é claro que estamos a trabalhar numa oferta não vinculativa”, afirmou o administrador financeiro do grupo franco-neerlandês, Steven Zaat, durante a apresentação dos resultados de 2025.

Sem querer avançar qualquer informação confidencial sobre o processo, Zaat adiantou apenas ter tido “uma conversa agradável” na semana passada com a administração da companhia portuguesa: “No final, tudo se resume ao que eles querem, com o que se sentem confortáveis e com que nós nos sentimos confortáveis na nossa abordagem conjunta”, disse.

Salientou que o grupo Air France-KLM “trabalha de forma muito colaborativa” e próxima das operações das companhias aéreas. “Como podem ver, estamos aqui com holandeses, canadianos e franceses, todos juntos”, enfatizou o administrador, considerando que a TAP pode ter “um lugar central em termos de organização do grupo”.

“Foi isso que discutimos em Lisboa”, disse, acrescentando que o resultado final também “depende, claro, do preço a pagar e de qual será toda a estrutura de governação”.

Questionado pelos jornalistas sobre se a compra da TAP poderia comprometer a meta traçada pela Air France-KLM de atingir uma margem operacional de 8% até 2028, Steven Zaat sublinhou que o grupo não iria investir numa empresa na qual não tivesse “confiança de que pode atingir” essa margem.

“Viram a margem da TAP nos últimos anos. Portanto, digamos que essa não é a nossa maior preocupação. São um bom ‘player’ na América do Sul e, claro, integrar o grupo [Air France-KLM] irá torná-los ainda mais fortes”, sustentou.

Por sua vez, o presidente executivo (CEO) da Air France-KLM, Benjamin Smith, salientou que “a rede que a TAP tem atualmente é muito complementar” à do grupo, nomeadamente nas ligações à América do Sul: “Ter um ponto de entrada na América Latina a partir da Península Ibérica estrategicamente seria ótimo para nós”, afirmou.

A Air France-KLM registou um lucro líquido recorde de 1.750 milhões de euros em 2025, impulsionado pelas remodelações implementadas e pela moderação dos preços dos combustíveis, anunciou hoje o grupo franco-neerlandês.

As receitas do grupo no ano passado também atingiram um valor recorde, de 33.000 milhões de euros, mais 4,9% do que em 2024, informou a Air France-KLM em comunicado.

“Apesar da persistente incerteza externa, encaramos 2026 com confiança e com o compromisso de implementar de forma rigorosa e disciplinada a nossa estratégia para atingir os nossos objetivos a médio prazo”, afirmou Benjamin Smith, após destacar o “sólido desempenho num ambiente complexo” da Air France-KLM em 2025.

O Governo anunciou em 19 de dezembro ter concluído a fase de pré-qualificação da privatização da TAP e mandatou a Parpública para enviar, a partir de 02 de janeiro, os convites para a apresentação de propostas não vinculativas, cujo prazo termina em 02 de abril.

O caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.

O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, disse que todas as entidades que manifestaram interesse – Air France-KLM, IAG e Lufthansa – cumpriram os requisitos e passaram à segunda fase.

As propostas não vinculativas a apresentar terão uma componente financeira, incluindo o preço oferecido pelas ações, bem como mecanismos adicionais de valorização, como ‘earn outs’, que preveem pagamentos futuros dependentes do desempenho da empresa.

Os interessados deverão ainda indicar a perspetiva de valorização futura da participação remanescente e eventuais formas alternativas de pagamento, como trocas de ações.

Além disso, deverão igualmente apresentar propostas técnicas não vinculativas, com um plano industrial e estratégico para a TAP, uma visão preliminar sobre sinergias e benefícios para a companhia e garantias de preservação do estatuto de operador aéreo da União Europeia.

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