AfD vence em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 37,9% – resultados provisórios

Schwerin, Alemanha, 20 set 2026 (Lusa) — O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu hoje as eleições regionais no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 37,9% dos votos, mas aquém de uma maioria que lhe permita governar, segundo resultados provisórios quase finais.

Duas semanas após uma vitória contundente na Saxónia-Anhalt, a AfD volta a vencer umas eleições regionais num estado do Leste da Alemanha (e antiga RDA) ao mais do que duplicar o resultado obtido em 2021 (16,7%) e bater por cerca de dois pontos os sociais-democratas do SPD (socialistas, centro-esquerda, atualmente no poder), que obtiveram 35,7%, de acordo com resultados atualizados depois das 22:00 locais (21:00 de Lisboa), quando faltam poucos círculos eleitorais por apurar.

Para os conservadores da União Democrata-Cristã (CDU), o resultado foi um “desastre”, como reconheceu o chanceler alemão, Friedrich Merz, já que se quedam pelos 5%, o pior resultado do partido em qualquer eleição estadual desde a Segunda Guerra Mundial.

A comissão eleitoral anunciou hoje à noite que apenas na segunda-feira ao início da tarde serão publicados os resultados, pelo que deverá ser necessário esperar até lá para se confirmar se efetivamente a CDU alcança sequer representação parlamentar, pois 5% é precisamente o limiar para entrar no parlamento estadual, e o mesmo suspense abala a Aliança Sarah Wagenknecht (BSW, populista de esquerda), atualmente nos 4,9%.

Numa eleição em que se verificou uma forte subida da afluência às urnas (de 70,8% em 2021 para 79% este ano), a terceira força mais votada foi o partido de esquerda radical Die Linke (A Esquerda), com 6,5%, tendo ainda garantido assento parlamentar os Verdes, com 5,6%.

Apesar do triunfo e de reclamar um “mandato para governar” Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD não tem condições para o fazer já que deverá eleger 27 ou 28 deputados, aquém dos 36 assentos necessários para uma maioria absoluta, e todos os outros partidos rejeitam liminarmente coligações com a extrema-direita.

A solução governativa deverá assim passar por uma nova coligação liderada pelo SPD, atualmente no poder com a Esquerda.

A cabeça de lista do SPD e atual ministra-presidente do estado, Manuela Schwesig — considerada a figura do partido mais popular em toda a Alemanha –, já afirmou hoje que “a AfD não vai conseguir formar governo” e disse estar disposta a conversar com as forças democráticas em busca de uma solução governativa, avançando analistas que o cenário mais provável é a ampliação da atual coligação SPD-Esquerda aos Verdes.

As eleições de hoje em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental eram aguardadas com grande expectativa face ao crescente sucesso da extrema-direita na Alemanha e à retumbante vitória alcançada pela AfD há apenas duas semanas nas eleições na Saxónia-Anhalt (também no Leste da Alemanha), com 43,8% dos votos, o maior triunfo eleitoral da história do partido, que deixou em estado de choque a cena política alemã, abalada hoje com novo triunfo da direita radical.

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