Administração da Lusa vai agendar reuniões com CT e sindicatos para esclarecer dúvidas do plano de modernização

Lisboa, 25 fev 2026 (Lusa) — O Conselho de Administração da Lusa irá agendar reuniões com a Comissão de Trabalhadores (CT) e com os sindicatos para esclarecer eventuais dúvidas relativas ao plano de modernização da empresa, disse hoje o presidente.

Os sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa questionaram a Comissão Europeia (CE) acerca da possibilidade de abrir um procedimento para apreciar o cumprimento do direito europeu na reestruturação e novo modelo de governação da agência.

Contactado pela Lusa, “o Conselho de Administração não comenta a intenção dos sindicatos questionarem a CE”.

A administração, liderada por Joaquim Carreira, “irá agendar reuniões com a Comissão de Trabalhadores e com sindicatos para esclarecer em sede própria eventuais dúvidas relacionadas com o plano de modernização e outras medidas referidas no Plano de Ação de Comunicação Social”.

De acordo com uma exposição enviada a Bruxelas pelos sindicatos dos Jornalistas (SJ) dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE) e dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE), as estruturas colocaram algumas perguntas acerca da recente alteração de estatutos e processo de reestruturação da Lusa.

Na exposição, os sindicatos lembraram o processo de reestruturação e alteração de estatutos, após a compra da totalidade do capital social da agência Lusa, pelo Estado, em novembro de 2025.

“O processo de reestruturação começou a ser implementado pelo Governo enquanto acionista sem a audição dos partidos com assento parlamentar, nem dos sindicatos, neste caso, ao arrepio da legislação laboral portuguesa”, indicaram, destacando que os novos estatutos da agência foram publicados em 28 de janeiro de 2026 no ‘site’ da agência noticiosa.

“A alteração de estatutos vem alterar o modelo de governação da empresa, agravando os riscos de ingerência externa na agência, desde logo de influência política e de controlo sobre a linha editorial”, apontam.

Entre as alterações estão a criação do Conselho Consultivo, composto por 13 membros, seis dos quais indicados por responsáveis políticos (três pela Assembleia da República, dois pelos Governos das Regiões Autónomas e um pela Associação Nacional de Municípios Portugueses), quatro por associações empresariais e um pela televisão pública portuguesa RTP.

“Apenas dois são indicados por órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa (um pelo Conselho de Redação e um pela Comissão de Trabalhadores da empresa)”, lamentaram.

“A transparência e independência estão postas em causa dada a falta de diversidade na composição deste órgão”, segundo os sindicatos.

Os trabalhadores da Lusa aprovaram na semana passada, uma resolução em defesa da independência da agência e contra riscos de ingerência externa, e convocaram um plenário à porta da empresa para esta quinta-feira.

 

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