
Porto, 18 out (Lusa) — A greve de seis dias não consecutivos dos enfermeiros teve hoje, no quinto dia, adesão de 100% em dezenas de unidades funcionais do Porto, Viseu e Faro, disse o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
Em conferência de imprensa em frente à Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, no Porto, José Carlos Martins adiantou não poder avançar com percentagens, dado ainda estar a recolher dados.
“Mas, posso já dizer que há seis ou sete unidades funcionais do Porto que estão com adesão de 100%, duas a cinco em Viseu e 10 a 12 em Faro. Temos uma panóplia delas espalhadas pelo paÃs que estão sem enfermeiros”, avançou.
Referindo que a greve está hoje focada nos cuidados de saúde primários, José Carlos Martins vincou que há “centenas de unidades funcionais” sem quaisquer enfermeiros e a “meio gás”.
“Isto traduz um enorme descontentamento por parte dos enfermeiros onde, à s questões de carreira, se acrescentam as difÃceis condições de trabalho nos centros de saúde, onde os enfermeiros continuam a ser poucos para as necessidades de resposta crescente, as dificuldades de meios e as desigualdades salariais”, referiu.
O presidente do sindicato revelou já terem pedido uma reunião à nova ministra da Saúde, estando a aguardar indicações.
Questionado sobre a nova governante, José Carlos Martins sustentou que “mais do que as personagens”, o importante é que se mudem polÃticas e soluções, tal como os caminhos da negociação.
O discurso polÃtico de mais de 30 anos sustenta que os cuidados primários são prioritários, ressalvou, acrescentando que depois, na prática, do ponto de vista de meios, orçamento, admissão de profissionais e equipamentos são o “parente pobre”.
Os enfermeiros, que estão a cumprir seis dias de greve, que termina na sexta-feira, exigem a revisão da carreira de enfermagem, a definição das condições de acesso à s categorias, a grelha salarial, os princÃpios do sistema de avaliação do desempenho, do regime e organização do tempo de trabalho e as condições e critérios aplicáveis aos concursos.
Os enfermeiros reivindicam ainda “a valorização económica do trabalho” e a sua dignificação, nomeadamente com o reconhecimento da categoria de enfermeiro especialista e uma categoria na área da gestão, “o reconhecimento da penosidade da profissão”, através da compensação de quem trabalha por turnos, e a reposição dos critérios para a aposentação 35 anos de serviço e 57 de idade.
A greve é convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), pelo Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR) e pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).
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