
Lisboa, 27 mar 2021 (Lusa) — Largas dezenas de pessoas participaram hoje em Lisboa numa ação pública pelo direito à habitação, promovida por várias associações para reivindicar a continuação da suspensão dos despejos, a regulação de preços e o aumento da habitação pública.
Sob o mote “Casas para as Pessoas e não para o Lucro”, a assembleia pública, realizada no Largo do Intendente, inseriu-se numa iniciativa europeia no âmbito do Dia Europeu da Ação pela Habitação, a decorrer em quase 70 cidades. Devido à pandemia, os participantes usavam máscaras, na generalidade, e mantiveram algum distanciamento.
“O preço das casas aumentou, não diminuiu com a crise. O imobiliário está cada vez mais desfasado da realidade concreta da sociedade”, realçou à Lusa Rita Silva, da associação Habita e uma das responsáveis pela ação, que alertou para a intenção de manter os despejos suspensos “enquanto não houver soluções”, para evitar “uma situação muito complicada”.
A pandemia de covid-19 “aprofundou o desemprego, a perda de rendimentos e a falta de apoios sociais” que “já vinham da crise anterior”, explicou Rita Silva, por entre uma série de testemunhos de pessoas a enfrentar o risco de despejo, que não conseguem pagar a renda, que vivem em barracas ou que estão a viver em situações limite de sobrelotação.
“Apesar de os despejos estarem suspensos, os processos estão a decorrer em tribunal e, então, as pessoas estão a receber os papéis e sabem que, mais tarde ou mais cedo, o despejo vai acontecer. Essas pessoas estão à procura de casa no mercado e não conseguem arranjar nenhuma alternativa”, denunciou.
Entre outros problemas identificados, estão “as pessoas que continuam a viver em barracas, em situações extremamente degradadas e que continuam a enfrentar a questão da demolição”, bem como o facto de as mulheres serem muito afetadas, sobretudo “mães, sozinhas com crianças, em que o seu rendimento não chega para pôr comida na mesa”.
A ação contou com uma adesão de 200 a 300 pessoas, segundo a organização, um número que Rita Silva considerou “muito bom para os tempos que correm”, lamentando, contudo, que as autoridades tenham impedido uma maior adesão, face à s restrições de circulação entre concelhos, no âmbito da pandemia de covid-19.
“Incrivelmente, tivemos pessoas que não puderam chegar aqui porque foram ‘barradas’ pela polÃcia e limitadas nos seus direitos de se deslocarem entre concelhos para poder participar numa ação polÃtica. Achamos que é muito grave”, condenou.
Além da associação Habita, a assembleia pública em Lisboa foi organizada pela plataforma Stop Despejos.
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