
Erevan, 07 jun 2026 (Lusa) — As urnas abriram hoje na Arménia para as eleições legislativas, marcadas por uma intensa campanha de desinformação atribuÃda à Rússia, e vistas como um teste à postura pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.
O partido de Pashinyan, Contrato CÃvico, lidera todas as sondagens, apesar de ser criticado pela perda da região de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão e pelho falhanço em desmantelar o sistema oligárquico da Arménia.
Um total de 19 partidos e blocos disputam os 101 lugares no parlamento.
O Contrato CÃvico enfrenta uma oposição liderada pela coligação Arménia Forte, associada à influência russa nesta antiga república soviética.
No sábado, na véspera das eleições, as autoridades arménias anunciaram a detenção de mais de 40 pessoas suspeitas de compra de votos, ligadas ao Arménia Forte.
Um candidato a deputado, em conluio com um grupo de pessoas, pagou entre 100 mil e 500 mil drams (entre 230 e 1.140 euros) a mais de uma centena de eleitores para que votassem na Arménia Forte, avançou a agência Armenpress.
As forças de segurança continuam a trabalhar para identificar e deter os outros cúmplices do esquema criminoso, bem como os indivÃduos que aceitaram os subornos.
Nikol Pashinián apelou na sexta-feira, no comÃcio de encerramento da campanha, à polÃcia, para que detivesse os polÃticos que se dedicam a falsificar as eleições através do pagamento de subornos.
O primeiro-ministro acusou a Arménia Forte e outros partidos de trabalharem para potências estrangeiras, numa clara alusão à Rússia.
Segundo meios de comunicação independentes, Moscovo terá investido grandes quantias de dinheiro numa campanha mediática de desprestÃgio contra Pashinian, o que incluiria o plano de pagar a viagem de avião a milhares de arménios residentes na Rússia para que votassem.
Na sexta-feira à noite, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo pôs ontem em causa a legitimidade das eleições arménias, devido ao que considera ser uma perseguição polÃtica dos seus opositores por parte das autoridades.
Vários partidos da oposição arménia, que criticam o Governo pela aproximação à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos, têm sido associados ao Kremlin.
A campanha eleitoral foi a mais polarizada dos últimos anos devido à s pressões russas, que se opõem à adesão do paÃs à UE, a qual, tal como os Estado Unidos, apoia a reeleição de Pashinian.
Na sexta-feira, a comissão eleitoral arménia rejeitou uma petição para impedir a Arménia Forte de participar nas eleições.
O presidente da Comissão Eleitoral Central da Arménia, Vahagn Hovakimyan, explicou que, após analisar os argumentos apresentados, não encontrou fundamentos legais para cancelar o registo eleitoral da coligação.
O anúncio surgiu após o Ministério Público ter pedido autorização à comissão eleitoral para iniciar processos criminais contra seis candidatos incluÃdos na lista do Arménia Forte.
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