Abbas pede ação internacional urgente para travar violência de colonos na Cisjordânia

Ramallah, Palestina, 26 jul (Lusa) — O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, apelou hoje a uma “ação internacional urgente” para travar a ofensiva militar israelita e a violência dos colonos na Cisjordânia ocupada.

O apelo foi lançado em plena escalada de tensão, após os confrontos que provocaram seis mortos esta semana na aldeia de Tell, de acordo com a agência oficial palestiniana Wafa.

Segundo a Wafa, o líder palestiniano enviou cartas a vários dirigentes árabes e de países amigos, à União Europeia, ao secretário-geral da Liga Árabe e ao presidente do Conselho de Segurança da ONU. Nessas cartas, Abbas alertou que os territórios ocupados atravessam uma “perigosa escalada” devido aos contínuos ataques das forças israelitas e de colonos armados, “diretamente apoiados” pelo Governo israelita.

Abbas sustentou que a situação já não corresponde a incidentes isolados, mas sim a uma “política israelita sistemática” através da expansão dos colonatos e do enfraquecimento da Autoridade Palestiniana, o que, na sua opinião, compromete as perspetivas da solução de dois Estados.

O responsável palestiniano pediu medidas urgentes para responsabilizar os autores da violência dos colonos, travar a expansão dos colonatos e aplicar a Resolução 2334 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que considera ilegais os colonatos israelitas.

Reclamou ainda proteção internacional para a população palestiniana e reafirmou o compromisso da Palestina com uma paz “justa e abrangente”, assente na solução de dois Estados e na rejeição da violência, segundo a Wafa.

O apelo surge após uma semana marcada pela violência na Cisjordânia.

Na sexta-feira, um confronto na aldeia de Tell, no norte do território, provocou a morte de quatro civis palestinianos e de dois soldados israelitas, um dos quais era também um dirigente dos colonos.

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) reconstituiu o incidente e concluiu que este teve origem num ataque anterior de colonos contra a localidade, contrariando a versão israelita, que o classificou como um “atentado terrorista”.

Segundo a HRW, entre 40 e 50 colonos entraram em Tell e atacaram várias habitações antes de rebentar o confronto, ao qual se juntaram posteriormente soldados israelitas.

Na sequência do incidente, o exército israelita lançou uma operação de grande escala na Cisjordânia, que já resultou na detenção de 70 palestinianos e no interrogatório de cerca de uma centena de pessoas.

A vaga de violência por parte de colonos repetiu-se nesse mesmo dia em vários pontos do território.

Além disso, colonos israelitas instalaram hoje pelo menos quatro novos postos avançados de colonização na Cisjordânia, entre eles um perto de Tell e outro em terrenos da aldeia de Um Safa, a norte de Ramallah.

 

MIM // ZO

Lusa/Fim