
Paris, 31 out 2026 (Lusa) — O Governo francês intensificou os apelos para um regresso tranquilo às aulas na próxima segunda-feira, após as férias de outono, enquanto as organizações estudantis mantêm a convocatória para a continuidade dos protestos, incluindo as manifestações hoje.
Tanto o Presidente francês, Emmanuel Macron, como o ministro da Educação, Édouard Geffray, têm reforçado, nos últimos dias, os apelos para que os alunos retomem as aulas, após mais de um mês de mobilizações estudantis que reivindicam melhorias nas condições educativas e nas escolas secundárias.
Os dirigentes associativos preparam, entretanto, novas ações para novembro, segundo a agência noticiosa espanhola Efe.
A dois dias do regresso às aulas, Geffray divulgou, nas suas redes sociais, uma carta aos alunos do Ensino Secundário na qual manifesta a sua “profunda confiança” nos jovens e defendeu as medidas anunciadas esta semana pelo Executivo para responder às suas reivindicações.
O ministro apresentou a Educação como uma ferramenta para que os jovens possam progredir, desenvolver-se e tornar-se cidadãos livres e informados.
“A minha prioridade absoluta é que os alunos frequentem as aulas”, afirmou Geffray na passada terça-feira, em entrevista à BFMTV.
Um dia depois, Macron transmitiu uma mensagem semelhante numa longa entrevista ao canal HugoDécrypte: “O que desejo, acima de tudo, é que — já que os jovens foram ouvidos — possam voltar às aulas”, declarou o Presidente no canal destinado ao público jovem, que conta com milhões de seguidores no YouTube, TikTok e Instagram.
Estas mensagens surgem numa semana em que as organizações estudantis confirmaram a intenção de manter a pressão sobre o Governo, por considerarem insuficientes as medidas anunciadas.
Na sua carta, Geffray salienta que, entre as principais iniciativas, está a limitação do número de alunos por turma a 28 no segundo ano do Ensino Secundário, inicialmente nas escolas menos favorecidas, a partir de setembro de 2027, com o alargamento da medida a todas as unidades em 2028.
Está também prevista a contratação de mais professores.
O ministro destacou ainda alterações, este ano letivo, no Parcoursup — a criticada plataforma de admissão ao ensino superior, que será substituída em 2028.
O Governo vai também estudar as alterações nos horários escolares, nos intervalos para as refeições e nas condições de transporte, além de rever o sistema de avaliação contínua do Ensino Secundário, com o objetivo de adotar medidas que entrem em vigor a partir do próximo ano letivo.
Apesar destes anúncios, as organizações estudantis não consideram a mobilização encerrada e mantêm a reivindicação de um investimento de 10 mil milhões de euros, destinado, entre outros objetivos, à criação de 250 mil vagas no ensino superior, à contratação de mais professores e à renovação das escolas. Exigem também a revogação do Parcoursup.
A União Sindical dos Estudantes do Ensino Secundário (USL), que esteve à frente dos bloqueios nas últimas semanas, espera um retomar “massivo” dos protestos a partir de segunda-feira.
A organização não convocou o bloqueio das escolas logo no primeiro dia de aulas, mas sim a organização de assembleias para deliberar sobre as ações na terça-feira.
Há planos para intensificar as mobilizações na próxima quinta-feira, coincidindo com um dia de greve sindical, em que esperam coordenar as suas ações com as dos professores, adianta a Efe.
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