Governo Regional do Príncipe raciona venda de gasolina devido à escassez

São Tomé, 30 out 2026 (Lusa) — O Governo Regional do Príncipe está a racionar a venda da gasolina após mais de duas semanas de escassez, para evitar a especulação de preços bem como o açambarcamento e reservas residenciais, disse à Lusa fonte oficial.

A decisão foi confirmada pelo secretário regional do Turismo, Economia e Cultura, Carlos Pinheiro, após enormes filas registadas no único posto de venda oficial de combustível da ilha do Príncipe.

Segundo Carlos Pinheiro, a medida visa, por um lado, “evitar o açambarcamento e depois a especulação, mas também salvaguardar o “risco que acarreta armazenar grandes quantidades de combustível em casa ou em outro lugar qualquer, que no passado já causou danos significativos à vida das pessoas”.

No dia 14 de outubro o Governo são-tomense admitiu escassez de combustível, que só foi resposta na semana passada. Entretanto, na ilha do Príncipe a situação só começou a ser restabelecida na quinta-feira.

“O abastecimento de combustível à Ilha do Príncipe a partir de São Tomé como é feito e em pequenas quantidades e com pouca regularidade traz sempre alguma situação de escassez para os consumidores”, disse Carlos Pinheiro.

A opção visa também evitar a rotura do produto até o próximo fornecimento que ocorrerá na próxima semana através do único navio autorizado para o efeito.

“Já tivemos casos desses, em que quando há avaria de navio e ficamos uma semana sem combustível, logo a seguir há procura, há enchente, mas depois normaliza e a coisa ganha a sua normalidade e flui normalmente”, explicou.

Carlos Pinheiro sublinhou que a solução sustentável para o problema passa pela construção de um novo reservatório de combustível, uma promessa antiga que até ao momento não foi executada por falta de financiamento.

“Tudo faremos para que nessa legislatura, pelo menos, iniciarmos de forma mais real (…) as obras ou concluir pelo menos os estudos e dar início à construção do reservatório”, disse Carlos Pinheiro.

Durante o período de falta de gasolina, a Empresa de Água e Eletricidade (Emae) também passou a racionar o fornecimento de energia, com corte entre as 00:00 e as 06:00, uma situação que o Governo Regional disse não compreender e espera ver reposta, uma vez que a produção de energia na ilha é feita a partir de geradores térmicos que funcionam a gasóleo.

O Governo são-tomense justificou a rotura de combustível pela falta de recursos financeiros para novas importações face ao aumento dos preços no mercado internacional, mas garantiu que as quantidades já importadas vão corresponder às necessidades do país até o próximo ano.

 

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