
Nações Unidas, 28 out 2026 (Lusa) – O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu hoje ao próximo Governo israelita que “mude de rumo” e trave a “atual tendência belicista”.
“Israel tem obrigações em virtude do direito internacional, do direito internacional humanitário e do direito internacional dos direitos humanos, e deve respeitá-las. Espero que o próximo Governo faça exatamente isso e mude de rumo de forma radical”, afirmou Türk numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O Alto-Comissário foi questionado sobre os pedidos que tinha a fazer ao Governo resultante das eleições legislativas realizadas na terça-feira em Israel, as primeiras desde o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas ao país, a 07 de outubro de 2023, e a subsequente guerra desencadeada pelo Governo liderado por Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza, que já soma mais de 74.500 mortos.
De acordo com a contagem de mais de 80% dos votos, realizada pela Comissão Eleitoral, e os cálculos dos principais órgãos de comunicação social nacionais, o bloco de direita e extrema-direita liderado por Netanyahu conta com 53 deputados, ao passo que os partidos árabes somam 19.
A coligação da oposição israelita encabeçada por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, alcançou 48 deputados. Todas as forças políticas estão, portanto, abaixo dos 61 mandatos necessários no parlamento (Knesset) para formar Governo.
Independentemente de qual o bloco que ganhe, Türk pediu que “não continue com a atual tendência belicista”, que, na sua opinião, reflete a crença de que Israel está “acima do direito internacional”.
O Alto-Comissário defendeu que a ONU continue a “monitorizar, documentar e relatar” o que se passa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, bem como no Líbano, na Síria e noutros locais.
Türk salientou que as Nações Unidas estão também a monitorizar as ações do Hamas e das autoridades palestinianas no que diz respeito aos direitos humanos, afirmando estarem “muito preocupados”, numa referência a informações sobre execuções de palestinianos, que descreveu como possíveis execuções extrajudiciais.
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