
Tete, Moçambique, 28 out 2026 (Lusa) – O Banco de Moçambique pretende passar a comprar ouro produzido no país no âmbito do processo de diversificação das reservas, anunciou hoje, em Tete, o governador da instituição, Felisberto Navalha.
“No domínio da gestão das reservas internacionais e em coordenação com o Ministério de Recursos Minerais e Energia, estamos a elaborar um plano de trabalho que visa operacionalizar a aquisição de ouro de produção doméstica”, afirmou o governador na sessão de abertura da 51.ª reunião do Conselho Consultivo da instituição.
A medida, disse, surge “em linha com a tendência dos bancos centrais”, incluindo na região africana, “de reforçar e diversificar as reservas internacionais através da aquisição de ouro produzido internamente”.
As reservas moçambicanas de ouro controladas pelo Banco de Moçambique valorizaram-se 65% em 2025, para 35.034,9 milhões de meticais (467 milhões de euros), face aos 21.210,8 milhões de meticais (283 milhões de euros) registados em 2024, de acordo com as demonstrações financeiras do banco central anteriormente compiladas pela Lusa.
Essa valorização refletiu sobretudo a subida das cotações internacionais do metal precioso, numa altura em que o stock físico de ouro se manteve relativamente estável.
A estratégia de reforço das reservas coincide também com planos para aumentar a capacidade de processamento do metal no país. Em março, o Governo anunciou que investidores dos Emirados Árabes Unidos manifestaram interesse em instalar em Moçambique a primeira refinaria de ouro nacional, recorrendo a tecnologia moderna e padrões internacionais de certificação.
A intenção do banco central surge igualmente num contexto de forte expectativa de recuperação da produção aurífera.
De acordo com a proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2027, Moçambique prevê produzir 1.809,2 quilogramas de ouro no próximo ano, um aumento de 44% face aos 1.255,4 quilogramas estimados para 2026.
“No ramo dos minerais metálicos, destaca-se o ouro, cuja produção poderá aumentar em cerca de 44%”, refere o documento.
A concretizar-se, será o valor mais elevado de sempre na produção nacional, superando o anterior máximo de 1.666,4 quilogramas alcançado em 2023.
Os dados oficiais indicam que a produção de ouro passou de 764,4 quilogramas em 2021 para 1.263,8 quilogramas em 2022 e 1.666,4 quilogramas em 2023, tendo depois recuado para 1.625,8 quilogramas em 2024 e para 1.349,3 quilogramas em 2025.
Aos preços internacionais atuais, os 1.809,2 quilogramas previstos para 2027 representam um valor bruto superior a 230 milhões de dólares (200 milhões de euros), embora o valor efetivo dependa da evolução das cotações internacionais e das condições de comercialização.
A recuperação projetada acontece depois de dois anos marcados por dificuldades no setor.
Em 2025, a produção caiu 17%, para 1,349 toneladas, alcançando apenas 82% da meta anual, devido sobretudo à paralisação das atividades de extração em Manica, uma das principais regiões produtoras do país.
Segundo o relatório de execução orçamental de 2025, a redução ocorreu num contexto de reforço da fiscalização da atividade mineira, após a criação de uma comissão multissetorial destinada a combater a mineração ilegal, monitorizar áreas degradadas e promover a refinação local do ouro antes da exportação.
Já no primeiro semestre de 2026, a produção recuou 12%, para 713,33 quilogramas, correspondendo a apenas 36% da meta anual de 1.723,24 quilogramas.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia atribuiu esse resultado à paralisação de empresas mineiras no Niassa para regularização das respetivas licenças e à suspensão da atividade mineira em Manica.
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