Mediador da CEDEAO avalia na Guiné-Bissau adiamento das eleições

Bissau, 26 out 2026 (Lusa) – O chefe de diplomacia senegalesa, mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a Guiné-Bissau, iniciou este domingo uma visita à capital guineense para analisar uma nova data para as eleições gerais.

O ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, Cheikh Niang, foi recebido no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, pelo ministro guineense da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira.

Durante a visita de trabalho de dois dias, está previsto que Niang se reúna com os principais responsáveis políticos e militares do país, incluindo o presidente de transição, general Horta N’ta, o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, e o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Tomás Djassi.

O governante senegalês deverá também encontrar-se com representantes dos partidos políticos, da sociedade civil e do corpo diplomático.

O Senegal exerce atualmente a presidência rotativa do bloco regional.

A visita ocorre depois de Vieira Té ter admitido no passado dia 08, após uma reunião com o presidente de transição, que “nas circunstâncias atuais, não estão reunidas as condições necessárias para a realização das eleições” na data prevista.

Vieira Té alegou então limitações relacionadas com a organização e o funcionamento dos partidos políticos.

Por seu lado, a secretária-executiva adjunta da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Felisberta Moura Vaz, afirmou que a atual data é “inviável” e que “a maior parte do calendário eleitoral está em risco”.

O Exército derrubou em 26 de novembro de 2025 o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló – três dias após as eleições gerais e antes da divulgação dos resultados -, suspendeu o processo eleitoral e nomeou o general Horta N’ta como presidente de transição.

A junta militar convocou novas eleições presidenciais e legislativas para 06 de dezembro e promoveu uma nova Constituição, aprovada em referendo, que alarga os poderes do Presidente e altera as regras eleitorais.

No início de outubro, a junta militar anunciou que, para já, não permitiria o regresso ao país de Embaló, que planeava regressar no passado dia 04, com o objetivo de se candidatar às eleições de dezembro.

A Guiné-Bissau sofre há anos de instabilidade política e institucional, tendo sofrido cinco golpes de Estado desde a independência de Portugal, em 1974.

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