Ministro da Habitação considera infelizes declarações do presidente do IHRU

Lisboa, 23 out 2026 (Lusa) – O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou infelizes as declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) sobre os jovens e o problema da habitação e disse já ter pedido explicações.

Numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI na quinta-feira à noite, Pinto Luz reagia às declarações do presidente do IHRU, Benjamim Pereira, que criticou a capacidade de sacrifício dos jovens, lembrando que as gerações anteriores emigraram para ter habitação.

“Sou de uma geração que gosto pouco que me venham dizer no meu tempo é que era”, afirmou Pinto Luz, acrescentado: “Não me revejo nessas declarações.

O ministro recusou retirar confiança política “em direto” na televisão, mas disse já ter pedido explicações ao IHRU.

Numa sessão sobre a proposta do Plano Diretor Municipal de Gaia, na quinta-feira, Benjamim Pereira disse não saber se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício da anterior, recordando que os próprios avós e o pai emigraram para ter uma casa.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, afirmou o responsável do IHRU.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o presidente do instituto disse não querer ir “por esse caminho”.

Perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, insistiu que não estava “a dizer isso”.

Pedindo para “concluir o raciocínio”, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram “porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje”.

“É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas. Eu já recebi pessoas no IHRU que agora, com os seus 60 e 70 anos, que quando eram da idade dos jovens que agora se estão a manifestar organizaram-se, fizeram cooperativas e fizeram as suas próprias casas”, afirmou.

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