Líder da moçambicana Renamo considera “difícil e dolorosa” expulsão de histórico membro

Maputo, 22 out 2026 (Lusa) – O presidente da Renamo considerou hoje “difícil e dolorosa” a decisão do Conselho Nacional de expulsar o histórico dirigente António Muchanga, defendendo que a medida foi necessária para proteger o partido numa altura de forte contestação interna.

“Esta sessão teve que tomar uma decisão difícil e dolorosa: a deliberação sobre o membro António Muchanga”, afirmou Ossufo Momade, no encerramento da terceira sessão do Conselho Nacional da Renamo, em Maputo.

O Conselho Nacional, órgão deliberativo da Renamo entre congressos, decidiu hoje expulsar António Muchanga do partido, numa decisão aprovada pela maioria dos cerca de 200 membros com direito de voto presentes na reunião, no âmbito de um processo disciplinar relacionado com alegadas violações dos estatutos da organização.

“Não foi a decisão de um homem, foi a decisão deste Conselho Nacional, órgão soberano do partido entre congressos, tomada à luz dos nossos estatutos”, declarou Ossufo Momade.

A decisão surge num contexto de críticas à atual direção da Renamo, protagonizadas nos últimos meses por antigos guerrilheiros e dirigentes históricos, entre os quais António Muchanga, que tem defendido publicamente a saída de Ossufo Momade da liderança do partido.

Segundo o líder da Renamo, a expulsão de um membro nunca constitui motivo de celebração para uma organização política, apelando à coesão interna.

“O conselho decidiu encerrar este capítulo, decidiu para proteger a instituição. Por isso, apelamos a todos, a partir deste momento, não transformemos esta decisão em campanha de ódio, em linchamento público ou em festival de insultos nas redes sociais”, afirmou.

Para Ossufo Momade, a decisão tomada pelos órgãos internos deve encerrar o diferendo político em torno do caso.

“A justiça partidária já foi feita pelos órgãos competentes. O caso está encerrado. Que fique encerrado também do ponto de vista emocional. Viremos a página”, declarou.

O líder da Renamo apelou ainda ao respeito pelos princípios e normas da organização, sobretudo pelas decisões tomadas naquele Conselho Nacional.

Na mesma sessão, Ossufo Momade anunciou que o próximo congresso da Renamo terá lugar no segundo semestre de 2027, afastando a possibilidade de eleição de uma nova liderança ainda este ano, como defendem alguns setores críticos da atual direção.

O presidente do partido admitiu, contudo, que a antecipação do congresso poderá ser equacionada caso existam recursos financeiros para a sua realização.

A realização de um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança tem sido uma das principais reivindicações dos setores que contestam a atual direção da Renamo. No início deste mês, Ossufo Momade anunciou que não será candidato à sua própria sucessão no próximo congresso, sem indicar, na altura, a data da sua realização.

Há vários meses que antigos guerrilheiros exigem a demissão de Ossufo Momade, acusando-o de má gestão do partido, falta de pagamento de pensões e subsídios e incapacidade para responder à atual crise interna.

Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição moçambicana.

VIYS (LCE) // MLL

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