
Sintra, Lisboa, 22 out 2026 out (Lusa) — A estreia moderna da ópera “La Statira”, de Alessandro Scarlatti, está marcada para sexta-feira, no Palácio Nacional de Queluz, anunciou a Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML).
Apresentada em versão de concerto, a estreia da ópera faz parte do ciclo “Noites de Queluz” que termina no próximo dia 30, e estará a cargo da orquestra Divino Sospiro, sob a direção do maestro Massimo Mazzeo, num programa que sublinha “o nascimento da ópera moderna”, pelo papel determinante de Alessandro Scarlatti, na afirmação do modelo, em pleno século XVII.
Esta ópera, com libreto do cardeal Pietro Ottoboni, regressa aos palcos 336 anos depois da sua estreia em Roma, em janeiro de 1690, e após uma investigação desenvolvida pela Divino Sospiro e pelo Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal, em colaboração com o Conservatório Nacional Superior Santa Cecília, em Roma, a Escola Superior de Música da Catalunha e a Escola de Música do Conservatório Nacional, de Lisboa, instituições que fazem parte do projeto “Da Urbe ao Atlântico”.
Este projeto “promove a mobilidade internacional de docentes e estudantes, contribuindo para a construção de uma rede estável e duradoura entre instituições italianas, espanholas e portuguesas ativas nos domínios da formação musical e da investigação musicológica”, explica a PSML, entidade que gere o Palácio Nacional de Queluz e outros monumentos do concelho de Sintra.
Esta ópera de Alessandro Scarlatti “foi objeto de um laboratório prático, que não só incentiva o intercâmbio de boas práticas e a mobilidade académica e artística de estudantes e docentes, como propõe, igualmente, um modelo replicável de cocriação e coprodução cultural”, informa a PSML.
Apresentada como uma “produção historicamente informada”, a estreia moderna de “La Statira” conta com um elenco constituído por profissionais e estudantes: o contratenor Fillippo Mineccia, as sopranos Raquel Mendes, Laura Kmetic e Alba Martinez (da Escola Superior de Música da Catalunha), e Iuliia Petrochenco (do Conservatório de St.ª Cecília), os tenores Luca Cervoni e Gustavo Luz (Escola de Música do Conservatório Nacional) e o baixo Stepan Iacoklev (Conservatório de St.ª Cecília).
“La Statira” trata da derrota do rei persa Dario por Alexandre, o Grande, e do amor deste pela filha do seu adversário, Statira.
Alessandro Scarlatti nasceu em Palermo, em 1660, e morreu em Nápoles, em 1725. A história da música atribui-lhe “um papel fundamental” no desenvolvimento da ópera, durante o Barroco intermédio, na viragem do século XVII para o seguinte, sendo-lhe atribuída a origem da chamada “escola napolitana”, pelo impacto que teve nas gerações seguintes de compositores.
Criador de obras como “Mitridate Eupatore” e “La Griselda”, o compositor consolidou a abertura orquestral, conhecida como “abertura italiana”, com sinfonias breves em três andamentos que serviam de introdução ao drama que se seguia, vindo a influenciar a criação da futura sinfonia clássica.
Alessandro Scarlatti está também na origem do recitativo acompanhado, não apenas por instrumentos de tecla, como o cravo, mas pela própria orquestra, enriquecendo a dimensão do drama e levando a primeiro plano não só as vozes, mas também instrumentos ou conjuntos de instrumentos, que se destacavam no efetivo orquestral.
A par da ópera, Alessandro Scarlatti cultivou igualmente a cantata de câmara e a oratória, dando-lhe uma dimensão operática.
O seu papel teve impacto direto em músicos que viram a marcar o Barroco tardio, como o seu filho Domenico Scarlatti, um dos mais importantes compositores da época, célebre pelas suas sonatas para cravo, que viveu em Portugal de 1719 a 1729.
Domenico Scarlatti foi mestre da capela real de Lisboa e professor da infanta Maria Bárbara, que viria a acompanhar na sequência do casamento da princesa portuguesa com o herdeiro espanhol, o futuro rei Fernando VI, fixando-se em Madrid.
As “Noites de Queluz” terminam no próximo dia 30 com um concerto pelo Quartetto Altemps, que vai interpretar quartetos de cordas de Haydn, Mozart e Beethoven.
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